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domingo, 11 de maio de 2014

Trecho do Livro: Helen Palmer - Uma Sombra de Clarice Lispector





CAPÍTULO III



Barroqueira do Agreste – Bahia
(Fevereiro de 1934)


A GRANDE DISTÂNCIA da realidade dos centros urbanos, longe de qualquer vestígio de progresso e imensamente afastada de tudo aquilo que poderia ser compreendido como civilização, Lea Leopoldina era mais uma pobre cambembe emprenhada, prestes a parir mais um predestinado sertanejo azarento. À sua volta, pouquíssima história para ser contada e nenhum tipo de adornos para enfeitar o seu xexelento pardieiro de barro batido: três cuias de água salobra, brotos de palmas estorricadas e um saco de farinha de mandioca dividiam o apertado espaço na mesa de madeira crua com sabão de sapomina, folhas de macambira e um desusado pilão emborcado numa arredondada bacineta de pedra, guardando ainda as raspas das rapaduras trazidas pelos mascates dos canaviais das circunvizinhanças.
Acima dos caibros e das varas que faziam a parede engradada de taipa, o maljeitoso telhado de ripas, com uma tira grossa de embira amarrada ao centro da cumeeira, segurava num só laço de nó um leocádio apagado bem na direção do velho fogão de lenha. E presa na memória dos seus parcos pertences espalhados naqueles quatro cantos de extrema vileza, a triste lembrança de seu companheiro: Nestor a tivera abandonado, inexplicavelmente, após tomar conhecimento da sua inesperada gravidez.
Do lado de fora, onde fumaça manava em vez de flores e onde nada germinava pelas estreitas fendas cravadas na superfície do chão estéril, pouca coisa sobrevivia da crueldade de uma duradoura estiagem. Rodeados por xiquexiques, quipás, seixos, pederneiras, juazeiros e mandacarus, formigas, besouros, calangos e lagartos escondiam-se num devastado matagal pálido e amortecido. Ao redor deles, pedregosas areias de rios secos, cisternas vazias, lavouras abolidas e ossos de animais mortos eram sobrevoados por outros tantos insetos invictos e descorados.
Caia mais um fim de tarde e o céu avermelhava-se por inteiro, levando consigo as minguadas sombras dos resistentes pés de umbu, jataí e jericó. Parecia mais um entardecer inexpressivo – como todos os outros marasmados e silentes daquele lugarejo fosco – não fossem aquelas repentinas vozes cantarolando mais alto que os cadenciados apitos das cigarras entocadas nos calhaus dos roçados e trauteando mais modestas que os finos gorjeios dos cinzentos pássaros que voavam rumo ao infindo horizonte de mato desbotado: Nós somos as parteiras tradicionais que em grupo vamos trabalhar! Todas juntas sempre unidas, muitas vidas vamos salvar...

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Marcus Deminco - Artigos Publicados



Jornada De Trabalho E Redução Do Estresse.

RESUMO – Objetivo: verificar se a diminuição na jornada de trabalho proporciona uma redução nos níveis de estresses ocupacionais. Métodos: triangulação de dados obtidos por revisão não sistemática em fontes secundárias e análise correlacional. Resultados: Aproximadamente 50 a 75% de todas as consultas médicas estão diretamente relacionadas ao Estresse. Pesquisa realizada pelo International Stress Management Association (2007) apontou que o Brasil lidera o ranking de horas trabalhadas por semana: 54 h contra a média mundial de 41 h, e que 70% dos brasileiros sofrem de estresse no trabalho, ficando atrás apenas do Japão. Conclusões: Apesar dos dados apresentados pela ISMA (2007) e embora o trabalho seja considerado um dos primeiros estressores crônicos, não se pode asseverar de forma generalista que a diminuição na Jornada de trabalho reduziria o estresse já que a compreensão dos eventos estressantes é afetada por variáveis cognitivas; não é a situação nem a resposta da pessoa que define o estresse, mas a percepção do indivíduo sobre a situação. (MIGUEZ, 2010). 
Palavras-chave: Estresse; Estressores; Jornada de Trabalho; Síndrome de Burnout; Redução de estresse.

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Abordagem Gestáltica E Psicopedagogia: Um Olhar Compreensivo Para A Totalidade Criança-Escola. (Resenha).

RESUMO: Resenha crítica do artigo. O texto visa estabelecer ligação entre abordagem gestáltica e a psicopedagogia. Abordam-se as teorias de base, concepção de campo holístico-relacional a teoria do ciclo de contato bem como as contribuições da gestaltpedagogia para compreensão no processo de aprendizagem e prática escolar. Dentro da psicopedagogia é descrito a abrangência, a conceituação, processo de avaliação e intervenção junto à criança e instituição educativa; dentro de suas bases teóricas e praticas. São citados fenômenos de aprendizagem, avaliação e intervenção na visão gestaltica.
Palavras-chave: Gestalt, psicopedagogia, aprendizagem, avaliação e intervenção.

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As Principais Influências Orientais Utilizadas Nas Abordagens Da Terapia Cognitivo-Comportamental Contemporânea.

RESUMO – Objetivo: pesquisar e descrever as principais técnicas orientais utilizadas como recursos de intervenções psicoterapêuticas em algumas práticas da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) contemporânea. Métodos: análise correlacional por revisão não-sistemática em fontes secundárias. Conclusões: as práticas orientais utilizadas pela Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), como o Mindfulness, a Terapia Comportamental Dialética (TCD), a Respiração Diafragmática e o Relaxamento Muscular Progressivo, representam não só um acréscimo relevante no arsenal de suas técnicas psicoterapêuticas, como também – proporcionam aos seus pacientes – uma maior variedade de recursos disponíveis no processo terapêutico.
Palavras-chave: técnicas orientais, Terapia Cognitivo-Comportamental, Mindfulness,Terapia Comportamental Dialética, Respiração Diafragmática, Relaxamento Muscular Progressivo.

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Novos Aspectos Fisiopatológicos Envolvidos no Transtorno Obsessivo-Compulsivo.

RESUMO – Objetivo: consultar em periódicos científicos eletrônicos os conceitos etiológicos mais utilizados para definir a fisiopatologia do Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), a fim de, posteriormente, descrever os mecanismos responsáveis por sua classificação entre os estados patológicos associados à hiperativação do Eixo Hipotálamo-Hipófise-Adrenal (HHA). Métodos: revisão não sistemática em fontes de dados secundários. Conclusões: embora o TOC ainda seja considerado um transtorno idiopático e de características heterogêneos, a hipótese na qual sugere um funcionamento anômalo no circuito cortico-estriato-tálamo-cortical, possivelmente, em virtude da falta de intervenção inibitória do Núcleo Caudado desencadeie excesso da atividade talâmica, retroalimentando os pensamentos invasivos e/ou os comportamentos repetitivos originários do Córtex Órbito-Frontal, gerando níveis patológicos de ansiedade que, através da Amígdala, elevam a atividade do Eixo HHA.
Palavras-Chave: Transtorno Obsessivo-Compulsivo, fisiopatológica, Eixo Hipotálamo-Hipófise-Adrenal, núcleo caudado, tálamo, córtex órbito-frontal.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Marcus Deminco – A Contradição.


Sou o espelho da complexidade na sua forma mais simples;
Sou a intensidade com mil exclamações;
Sou dono de questionamentos intermináveis que lancei ao vento;
Sou pedaço do pequeno mundo lá fora, dentro de um enorme universo à parte;
Sou fiel nas traições e sincero demais nas mentiras;
Sou a pressa com todo o tempo disponível;
Sou a bagunça na qual se encontra qualquer coisa;
Sou a continuação das eternas perguntas, e as respostas ainda sem conclusão;
Sou o errado que busca acertar e a sorte de acertar sem querer;
Sou tristeza mascarando alegria, e alegria enrustida de tristeza;
Sou amigo de quase todos, mas poucos conseguiram me cativar;
Sou altruísta com estranhos e egocêntrico com os mais próximos;
Sou humilde por puro charme, mas vaidoso sem ser pedante;
Sou exagerado na medida certa;
Sou crente, mas também sou cético;
Sou tiro de rosas em canhões, mas disparo mágoas com a própria língua;
Sou tão certo quanto a dúvida e tão duvidoso que já nem sei;
Sou gritos desesperados em silêncio;
Sou interpretado como não queria e invisível quando me mostro;
Sou indeciso por pura convicção;
Sou mais do que esperam e bem menos do que precisam;
Sou aquele que voa ainda no chão e o que desfila aéreo pelas ruas;
Sou a rotina inesperada das imprevisíveis aventuras;
Sou tão óbvio quanto à própria contradição.


Parte dos Agradecimentos do Livro de Marcus Deminco: Eu e meu Amigo DDA.


Apenas quando aceitei, sem contestações e por simples clarividências, que a verdadeira fé nasce do firmamento convicto naquilo que não se vê, compreendi, sem resíduo de descrença, que existe e existirá sempre uma força infinitamente maior e mais sábia que os ensaios de meus desejos. E mesmo revoltoso com fatos inesperados que subtraírem alguns dos meus melhores sonhos, não corromperei minha moral ou trapacearei meus próprios princípios. Porque descobri, também, que as circunstâncias adversas não funcionarão como justificativas íntegras para remodelar a solidez do meu caráter.
Cedo ou tarde, entendi que estar sem dinheiro não me eximia em nada de ser bondoso. Muitas vezes, os maiores gestos de caridade não me custavam mais do que a mísera migalha de saber partilhar da minha própria alegria.
Aprendi um dia que amar alguém com toda minha força não significava lançar sobre ela o estorvo de preencher as lacunas das minhas exigências, pois reconheci que, por maior esforço feito, nem sempre corresponderia às rigorosas expectativas alheias.
Compreendi, ainda, que ser livre não me credenciava como dono único da minha própria vida. Afinal, existem e existirão sempre pessoas ansiadas pelos meus regressos.
Mas, somente quando detive o dom de enxergar através das lentes de limitação dos humanos incrédulos, aceitei inteiramente essa plenitude divina que chamamos Deus. Obrigado Pai, pelo milagre mágico da vida, pela glória de me fazer um eterno aprendiz e, principalmente, pelo “toque torto” em ter-me feito tão DDA assim.
Agradeço a intercessão de Nossa Senhora, revigorando-me nas apatias das derrotas e erguendo-me nas vezes em que pensei covardemente desistir. Às inexplicáveis forças ocultas que surgem fantasiadas de pura intuição e me fazem mudar de ideia do nada. Agradeço, também, aos espíritos de luz que me conduzem pelos caminhos mais claros, e aos anjos guias, que me fazem sempre encontrar uma saída, quando a teimosia insiste em debandar-me pelos traiçoeiros atalhos tortos.

A palavra AMIGO. Por Marcus Deminco

O segundo caminho para a felicidade acontece quando uma pessoa se dispõe a conquistar e manter amigos, sendo amiga!

O amigo não precisa ser necessariamente um parente ou um estranho; ser rico, forte ou influente, basta estar presente na quantidade de tempo e com a qualidade de presença suficiente para acolher, alimentar, proteger, compreender e amar. A palavra “amigo” é filha da palavra “amar”. Triste pensar que boa parte das crianças e pessoas desaparecidas sai de casa por vontade própria em busca de amizade (amor) na rua, nos órgãos assistenciais e até mesmo nos grupos criminosos. Pais ausentes, entupidos de trabalho, totalmente indisciplinados na divisão de seu tempo perdem a grata oportunidade de desenvolver amizade profunda com seus filhos, mesmo “dando tudo do bom e do melhor”. Mas o homem à toa que fica na esquina pode ser aquele que será chamado de “melhor amigo” pelo filho que se sente abandonado, mesmo às vezes tendo tudo do bom e do melhor.
Qual amizade poderia ser melhor para uma criança do que a amizade de uma mãe ou de um pai? A do cachorro? A de um estranho? Qual pessoa, por mais abastada e sincera que fosse poderia se dizer e se sentir feliz sem que pudesse contar com pelo menos uma pessoa amiga para compartilhar aqueles momentos especiais ou cruciais da vida? A felicidade só pode ser usufruída se for produzida e, uma vez produzida, para mantê-la latente é necessário que esta seja compartilhada. Por isto a amizade é elemento fundamental para a manutenção da felicidade produzida, pois ela só é contínua quando é dividida com alguém.

sábado, 11 de janeiro de 2014

Os Limites da Percepção


O que quer que vejamos é limitado, o que quer que sintamos é limitado, todas as percepções são limitadas. Mas se você puder tornar-se cônscio, então o que é limitado desaparece no ilimitado. Olhe para o céu. Você irá ver uma parte limitada dele, não porque o céu seja limitado, seus olhos é que são limitados, o foco deles é limitado. Mas se você puder tornar-se cônscio de que essa limitação é devido ao foco, por causa dos olhos, não é o céu que é limitado, desse modo você verá as fronteiras dissolvendo-se no ilimitado.
Diferentemente a existência é ilimitada, diferentemente tudo está se dissolvendo em outra coisa mais. Tudo está perdendo suas fronteiras, a cada momento ondas estão desaparecendo no oceano – e não há um fim para coisa alguma e não há nenhum começo. Tudo é também tudo o mais. Sente-se sob uma árvore e veja, e o que quer que venha para sua visão, basta ir além, veja além e não pare em lugar algum. Apenas descubra onde essa árvore está se dissolvendo. Essa árvore, essa pequena árvore bem no seu jardim, toda a existência está nela. Ela está se dissolvendo a cada momento. Para onde você olhar, olhe para o além e não pare em lugar nenhum. Continue indo e indo e indo até perder a sua mente, até você perder todos os seus padrões limitados. Subitamente você estará iluminado. Toda a existência é uma. Essa unicidade é a meta. E, de repente, a mente fica cansada do padrão, da limitação, da fronteira – e enquanto você insiste em ir além, enquanto você continua puxando-a além e além, a mente desliza, de repente abandona, e você olha para a existência como uma vasta unicidade, tudo se dissolvendo um no outro, tudo mudando no outro.
Sente-se por uma hora e trabalhe nisso. Não crie qualquer limitação em lugar algum. Seja qual for a limitação apenas tente encontrar o além, e mova-se e continue movendo-se.

O poder da Amizade.

O poder da Amizade.: Todos precisamos de um amigo. ESTE MÊS GOSTARIA DE AGRADECER ESTA TEMA PARA TODOS QUE ME AJUDARAM NA MINHA TEMPESTADE FAMILIAR QUE PAS...

domingo, 5 de janeiro de 2014

Café com um Amigo



Um professor, diante de sua classe de filosofia, sem dizer uma só palavra, pegou um pote de vidro, grande e vazio, e começou a enchê-lo com bolas de golfe. Em seguida, perguntou aos seus alunos se o frasco estava cheio e, imediatamente, estes disseram que SIM. O professor, então, pegou uma caixa cheia de bolas de gude e a esvaziou dentro do pote. As bolas de gude encheram todos os vazios entre as bolas de golfe.
O professor voltou a perguntar se o frasco estava cheio e voltou a ouvir de seus alunos que SIM. Em seguida, pegou uma caixa com areia e a esvaziou dentro do pote, a areia preencheu os espaços vazios que ainda restavam e ele perguntou novamente aos alunos, que unanimemente responderam que o pote agora estava cheio. O professor pegou um copo de café (líquido) e o derramou sobre o pote, umedecendo a areia. Os estudantes riam da situação, quando o professor lhes falou:

- Quero que entendam que o pote de vidro representa nossas vidas. As bolas de golfe são as coisas mais importantes, como Deus, a família, os filhos, os amigos. São aquelas com as quais nossas vidas estariam cheias e repletas de felicidade. As bolas de gude são as outras coisas que importam; o trabalho, a casa bonita, o carro novo, etc. A areia representa todas as pequenas coisas. Mas, se tivéssemos colocado a areia em primeiro lugar no frasco, não haveria espaço para as bolas de golfe. O mesmo ocorre em nossas vidas. Se gastarmos todo nosso tempo e energia com as pequenas coisas, nunca teremos lugar para as coisas realmente importantes. Prestem atenção nas coisas que são cruciais para a sua felicidade. Brinquem com seus filhos, saiam para se divertir em família, dediquem um pouco de tempo a vocês mesmos, tenham fé em algo ou em alguém, pratiquem seu esporte favorito,...
Sempre haverá tempo para as outras coisas, mas ocupem-se das bolas de golfe em primeiro lugar. O resto é apenas areia... Um aluno se levantou e perguntou o que representava o café. O mestre lhe respondeu:
- "Que bom que me fizestes esta pergunta, pois o café serve apenas para demonstrar que não importa quão ocupada esteja nossa vida, SEMPRE HAVERÁ LUGAR E TEMPO PARA TOMARMOS UM CAFÉ COM UM AMIGO".

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

E-book: Helen Palmer - Uma Sombra de Clarice Lispector.


Rio de Janeiro, 9 de dezembro de 1977 – dez e meia da manhã. Quando – em decorrência de um câncer e apenas um dia antes de completar o seu quinquagésimo sétimo aniversário – a prodigiosa escritora Clarice Lispector partia do transitório universo dos humanos, para perpetuar sua existência através das preciosas letras que transbordavam da sua complexa alma feminina, os inúmeros apreciadores daquela intrépida força de natureza sensível e pulsante ficavam órfãos das suas epifânicas palavras, enquanto o mundo literário, embora enriquecido pelos imorredouros legados que permaneceriam em seus contos, crônicas e romances, ficaria incompleto por não mais partilhar – nem mesmo através das obras póstumas – das histórias inéditas que desvaneciam junto com ela.
Entretanto, tempos depois da sua morte, inúmeras polêmicas concernentes a sua vida privada vieram ao conhecimento público. Sobretudo, após ter sido inaugurado o Arquivo Clarice Lispector do Museu de Literatura Brasileira da Fundação Casa de Rui Barbosa (FCRB) – constituído por diversos documentos pessoais da escritora – doados por um de seus filhos. E diante de correspondências trocadas com amigos e parentes, trechos rabiscados de produções literárias, e algumas declarações escritas sobre fatos e acontecimentos, a confirmação de que entre agosto de 1959 a fevereiro de 1961, era ela quem assinava uma coluna no jornal Correio da Manhã sob o pseudônimo de Helen Palmer.
Decerto aquilo não seria um dos seus maiores segredos. Aliás, nem era algo tão ignoto assim. Muitos – principalmente os mais próximos – sabiam até mesmo que, no período de maio a outubro de 1952, a convite do cronista Rubem Braga ela havia usado a identidade falsa de Tereza Quadros para assinar uma coluna no tabloide Comício. Assim como já se conscientizavam também, que a partir de abril de 1960, a coluna intitulada Só para Mulheres, do Diário da Noite, era escrita por ela como ghost writer da modelo e atriz Ilka Soares. Mas, indubitavelmente, Clarice guardava algo bem mais adiante do que o seu lirismo introspectivo. Algo que fugiria da  interpretação dos seus textos herméticos, e da revelação de seus pseudos. Um mistério que a própria lógica desconheceria. Um enigma que persistiria afora dos seus oblíquos olhos melancólicos.
Dizem, inclusive, que em agosto de 1975, ela somente aceitou participar do Primeiro Congresso Mundial de Bruxaria – em Bogotá, Colômbia – porque já estava convencida de que aquela cíclica capacidade de renovação que lhe acompanhava, viria de um poder supremo ao seu domínio e bem mais intricado que os seus conflitos religiosos. Talvez seja mesmo verdade. Talvez não. Quem sabe descobriríamos mais a respeito, se nessa mesma ocasião, sob o pretexto de súbito um mal-estar ela não tivesse, inexplicavelmente, desistido de ler o verdadeiro texto sobre magia que havia preparado cuidadosamente para o instante da sua apresentação.
 Em deferência aos costumes judaicos quanto ao Shabat, Clarice só pode ser sepultada no dia 11, domingo. Sabe-se hoje que o seu corpo repousa no túmulo 123 da fila G do Cemitério Comunal Israelita no bairro do Caju, Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro. Coincidentemente, próximo ao local onde a sua personagem Macabéa gastava as horas vagas. No entanto, como quase todos os extraordinários que fazem da vida um passeio de aprendizado, deduz-se que Clarice tenha mesmo levado consigo uma fração de ensinamentos irreveláveis. Certamente, os casos mais obscuros, tais como os episódios mais sigilosos, partiram pegados ao seu acervo incriado, e sem dúvida alguma, muita coisa envolta às suas sombras não seriam confidenciadas. Como por exemplo, o verdadeiro motivo que lhe inspirou a adotar um daqueles pseudônimos (...).
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Obra com Registro no Escritório de Direitos Autorais da Fundação Biblioteca Nacional sob o Nº: 436909 em 30/07/08.

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sexta-feira, 11 de outubro de 2013

ME AND MY ADD FRIEND


After the huge success of its first edition (released independently and only in Brazil), ME AND MY ADD FRIEND (2006) - in little more than a year - sold about 2,000 copies. Today, therefore, convinced of the increasingly frequent demand for books that address this issue, convinced of its profitability with a wide distribution in several countries, we intend to relaunch it in its second edition.


quinta-feira, 10 de outubro de 2013

A Máquina de Escrever (Giuseppe Ghiaroni)



Mãe, se eu morrer de um repentino mal,
vende meus bens a bem dos meus credores:
a fantasia de festivas cores
que usei no derradeiro Carnaval.

Vende esse rádio que ganhei de prêmio
por um concurso num jornal do povo,
e aquele terno novo, ou quase novo,
com poucas manchas de café boêmio.

Vende também meus óculos antigos
que me davam uns ares inocentes.
Já não precisarei de duas lentes
para enxergar os corações amigos.

Vende, além das gravatas, do chapéu,
meus sapatos rangentes. Sem ruído
é mais provável que eu alcance o Céu
e logre penetrar despercebido.

Vende meu dente de ouro. O Paraíso
requer apenas a expressão do olhar.
Já não precisarei do meu sorriso
para um outro sorriso me enganar.

Vende meus olhos a um brechó qualquer
que os guarde numa loja poeirenta,
reluzindo na sombra pardacenta,
refletindo um semblante de mulher.

Vende tudo, ao findar a minha sorte,
libertando minha alma pensativa
para ninguém chorar a minha morte
sem realmente desejar que eu viva.

Pode vender meu próprio leito e roupa
para pagar àqueles a quem devo.
Sim, vende tudo, minha mãe, mas poupa
esta caduca máquina em que escrevo.

Mas poupa a minha amiga de horas mortas,
de teclas bambas, tique-taque incerto.
De ano em ano, manda-a ao conserto
e unta de azeite as suas peças tortas.

Vende todas as grandes pequenezas
que eram meu humílimo tesouro,
mas não! Ainda que ofereçam ouro,
não venda o meu filtro de tristezas!

Quanta vez esta máquina afugenta
meus fantasmas da dúvida e do mal,
ela que é minha rude ferramenta,
o meu doce instrumento musical.

Bate rangendo, numa espécie de asma,
mas cada vez que bate é um grão de trigo.
Quando eu morrer, quem a levar consigo
há de levar consigo o meu fantasma.

Pois será para ela uma tortura
sentir nas bambas eclas solitárias
um bando de dez unhas usurárias
a datilografar uma fatura.

Deixa-a morrer também quando eu morrer;
deixa-a calar numa quietude extrema,
à espera do meu último poema
que as palavras não dão para fazer.

Conserva-a, minha mãe, no velho lar,
conservando os meus íntimos instantes,
e, nas noites de lua, não te espantes
quando as teclas baterem devagar.

A Máquina de Escrever (Giuseppe Ghiaroni).

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

A DECISÃO (Charles Chaplin)


Hoje levantei cedo pensando no que tenho a fazer antes que o relógio marque meia noite. É minha função escolher que tipo de dia vou ter hoje. Posso reclamar porque está chovendo ou agradecer às águas por lavarem a poluição. Posso ficar triste por não ter dinheiro ou me sentir encorajado para administrar minhas finanças, evitando o desperdício. Posso reclamar sobre minha saúde ou dar graças por estar vivo. Posso me queixar dos meus pais por não terem me dado tudo o que eu queria ou posso ser grato por ter nascido. Posso reclamar por ter que ir trabalhar ou agradecer por ter trabalho. Posso sentir tédio com o trabalho doméstico ou agradecer a Deus. Posso lamentar decepções com amigos ou me entusiasmar com a possibilidade de fazer novas amizades. Se as coisas não saíram como planejei posso ficar feliz por ter hoje para recomeçar. O dia está na minha frente esperando para ser o que eu quiser. E aqui estou eu, o escultor que pode dar forma. TUDO DEPENDE SÓ DE MIM.  



quinta-feira, 19 de setembro de 2013

O quão a sua VERDADE lhe Cega - por Marcus Deminco


Com intento de demonstrar o quão as nossas opiniões – muitas vezes enraizadas em nós como verdades incontestáveis – nos limitam de enxergar melhor o mundo, um grupo de pesquisadores resolveu realizar um simples experimento: adaptaram a maçaneta ao mesmo lado das dobradiças de uma porta e em seguida pediram para um grupo de adultos que entrassem na sala. Na hora de sair, todos caminharam automaticamente até a porta seguraram a maçaneta, giraram como de costume e tentavam abri-la, empurrando ou puxando. Como resultado, concluíram que a porta estava fechada.

Depois deles, dentro da mesma sala, os pesquisadores chamaram algumas crianças e a submeteram as mesmas condições. Todavia, na hora que foi solicitado que eles saíssem, por ainda não terem edificado uma generalização concreta sobre a maneira na qual a maçaneta funciona, simplesmente foram até a porta a empurraram e saíram.

Quantas das nossas decisões (generalizações) sobre a maneira como as coisas funcionam nos deixam ‘aprisionados em nossas verdades’ enquanto os outros não são detidos por elas?

O filósofo grego Epicteu, em seus preceitos também atribuía as nossas crenças como a maior causadora de nossos sofrimentos: NÓS NÃO SOMOS PERTURBADOS PELAS COISAS, MAS PELA OPINIÃO QUE TEMOS SOBRE ELAS. Assim, somente quando aceitamos o diferente, como detentor de uma verdade que julgávamos ser nossa, e passamos a enxergar os acontecimentos através de diversas considerações além das nossas, a nossa própria experiência interior se reestrutura. Possuir mais informações, a partir de diferentes perspectivas propicia uma amplitude no nosso ponto de vista e ter vários pontos de vista é a base da sabedoria para tomarmos decisões, resolvermos conflitos, fazermos negociações e limparmos a nossa historia pessoal.


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quarta-feira, 18 de setembro de 2013

O que faz você FELIZ?


O que faz você feliz? Pergunta a música.

Fico aqui tentando responder.

Estar com amigos? Estar com meu amor? Saúde? Sorvete em dia de calor?

Viver perto do mar? Trabalhar na megalópole?

Quer saber, acho que não é este o caminho da minha resposta.

Ontem pensei que viver numa cidade rural fosse a resposta.
Vida simples. Vida boa.

Penso diferente agora. A questão não é estar na natureza ou vivendo em uma metrópole. A questão é viver com alma, onde quer que se esteja.

Dando sentindo ao existir.

Parece que quando estamos em meio a natureza, numa cidade pequena, isto se torna mais fácil, temos menos distrações. A ambição pode ficar mais preguiçosa, os laços de amizade e solidariedade podem se estreitar. Menos tensão, menos stress.

Será....?  Olho para o interior do país, e vejo ainda muita gente infeliz.

O que pode trazer felicidade para mim, pode ser infelicidade para você.

Mais uma vez a questão é interna, subjetiva. Independe de onde estou para ser ou não feliz.

O céu e o inferno são internos.

Pra ser feliz é preciso do básico: gostar de sua vida. Sentir que sua vida tem sentido, que se encaixa, sentir amor, muito amor por sua própria vida e pela dos que se vê pelas calçadas, pelas ruas, entre paredes de seu lar.

Colocamos muita expectativa no emprego dos sonhos, no casamento, nos filhos, amores, viagens, comidas, roupas, sapatos, achando que a felicidade está lá.

Não está. La vivem sonhos, pequenas alegrias, prazeres, o que não deixa de ter um sabor agradável. Mas não é felicidade. Até porque a vida é inconstante. Não dá para cristalizar o momento e torna-lo eterno. Ele passa. E o que hoje te dá alegria, amanhã poderá vir a ser um tormento de enormes proporções.

A felicidade vai por dentro, corre no sangue, dá frutos íntimos. Ninguém vê. Não dá para pesar, medir, aferir.

O meu senso de felicidade é com certeza diferente em tudo do seu. Mas felicidade deixa rastros.

Gente feliz faz bem ao ambiente. Traz leveza e esperança.
Melhora a humanidade. Melhora o sistema imunológico pessoal e coletivo.

Felicidade só em parte é um bem individual. Ela só se fortalece quando coletiva. Quando a maioria desfruta deste estado de espirito.

E vai daí que  a minha felicidade intima contribui para  a construção da sua. E vice-versa.

Quando o coração enfim se abre para amar a vida, a primeira coisa que acontece é que nossa sensibilidade é ferida, tocada, pedindo para nos mantermos acordados atentos. Isso nos faz sofrer.

Olhar para a fome, o abandono, a dor física, a morte, nos faz sofrer. Saber que hoje almoço e que em algum lugar do planeta uma criança pequena morreu de sede e de fome tira meu apetite.

Dá para ser feliz nesse mundo afinal?

Sim, isso é o primeiro passo: amar muito e escolher continuar acordado para a realidade, para a seguir agir a favor deste mundo, encarando os sofrimentos para criar mais beleza, sem que seus olhos deixem de ver lindeza por todas as partes.

E ai, a vida repleta de sentido, gerando alivio, cultivando o belo, pode se sentir feliz, pode respirar a plenos pulmões, pode ser livre e amável.

Parte do texto de Thais Accioly.