Minhas Entrevistas (My Interviews)





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Transtorno aparece mais na infância
Distração, falta de concentração, inquietude, impulsividade e desorganização. Comportamentos que normalmente são caracterizados como um quadro de dificuldade, falta de educação ou simples pirraça de uma criança podem ser também sintomas de um distúrbio neurológico conhecido como Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH)

Veículo: Correio da Bahia 
Seção: Aqui Salvador
Data: 14/10/2006
Estado: BA
 

Distração, falta de concentração, inquietude, impulsividade e desorganização. Comportamentos que normalmente são caracterizados como um quadro de dificuldade, falta de educação ou simples pirraça de uma criança podem ser também sintomas de um distúrbio neurológico conhecido como Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). Estima-se que no Brasil cerca de quatro milhões de pessoas sofram com o problema, sendo que 3 milhões não sabem que são portadores. O TDAH aparece na infância, mas em 70% dos casos acompanha o indivíduo por toda a vida.
O distúrbio é reconhecido oficialmente por vários países e pela Organização Mundial da Saúde (OMS). De acordo com o neurologista, Antônio Souza Andrade, o transtorno é caracterizado quando os sintomas são excessivos e acontecem constantemente. Ele explica que o TDAH tem causas hereditárias e é resultado de uma disfunção do córtex pré-frontal, responsável, entre outras coisas, pelo pensamento racional, o que implica organização, perseverança, capacidade de manter atenção e controlar os impulsos e ainda de formular pensamentos críticos. Um bom funcionamento dessa unidade cerebral não significa que a pessoa não vá cometer erros, mas que não continuará a cometer os mesmos.
Isso vale para crianças, adolescentes e adultos, para situações ligadas ao aprendizado, ao desempenho profissional e à vida pública e social. “Quando um professor ou pai exige que uma criança melhore seu rendimento escolar, ele desce. Ocorre o mesmo quando um funcionário sofre exigências de um supervisor: sua performance cai. Na maioria das vezes, esses fenômenos são interpretados como má conduta proposital, gerando sérios problemas”, diz o especialista.
 
Notas baixas na escola, três anos de repetência e duas expulsões de escola foram algumas das consequências dos comportamentos irrequietos do profissional trainer Marcus Deminco, 30 anos. Autor do livro Eu e meu amigo DDA (Distúrbio do Déficit de Atenção), primeira autobiografia de um portador do transtorno no mundo, ele conta que “se descobriu” diferente dos amigos desde os 9 anos, mas somente aos 27 iniciou o tratamento. “Eu sabia que não era igual aos meus colegas. Fiz análise com psicólogos durante muitos anos, mas nunca descobriram o que eu tinha. Uma amiga comentou comigo sobre um livro que fala sobre o problema e quando comecei a ler me identifiquei com todos os relatos”, conta.
Marcus alerta que, em alguns casos, o Transtorno pode se apresentar de forma física e mental. O primeiro é manifestado através de sintomas comportamentais, através da inquietação, já o segundo é caracterizado pela confusão mental. “Nesse caso é ainda mais difícil para a família reconhecer o problema porque a criança sofre com dificuldades na linha de raciocínio e na maioria dos casos é considerada incapaz”, diz.
Ele alerta que ao perceber esses sintomas, os pais devem recorrer a ajuda de um neurologista, para que seja iniciado o tratamento, realizado na maioria dos casos à base de medicamentos. A dosagem e a continuidade dependem do grau do distúrbio. As drogas mais utilizadas são à base de metilfenidato, um psicoestimulante que melhora a concentração. Também é indicada a associação de metodologias criativas que possam estimular o raciocínio.


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