quinta-feira, 30 de setembro de 2010

JOSÉ SERRA DEMONSTRA COMO PRETENDE ERRADICAR A FOME





quarta-feira, 29 de setembro de 2010

DEUS CRIOU O MAL?




Contam que durante uma conferência com vários universitários, um professor da Universidade de Berlim desafiou seus alunos com esta pergunta: “Deus criou tudo o que existe?"
Um aluno respondeu com grande certeza:
-Sim, Ele criou!
-Deus criou tudo? - Perguntou novamente o professor.
-Sim senhor! - Respondeu o jovem.
O professor indagou:
-Se Deus criou tudo, então Deus fez o mal? Pois o mal existe, e partindo do preceito de que nossas obras são um reflexo de nós mesmos, então Deus é mau?
O jovem ficou calado diante de tal resposta e o professor, feliz, se regozijava de ter provado mais uma vez que a fé era uma perda de tempo.
Outro estudante levantou a mão e disse:
-Posso fazer uma pergunta, professor?
-Lógico, foi a resposta do professor.
O jovem ficou de pé e perguntou:
-Professor, o frio existe?
-Que pergunta é essa? Lógico que existe, ou por acaso você nunca sentiu frio?
Com uma certa imponência rapaz respondeu:
-De fato, senhor, o frio não existe. Segundo as leis da Física, o que consideramos frio, na realidade é a ausência de calor. Todo corpo ou objeto é suscetível de estudo quando possui ou transmite energia, o calor é o que faz com que este corpo tenha ou transmita energia. O zero absoluto é a ausência total e absoluta de calor, todos os corpos ficam inertes, incapazes de reagir, mas o frio não existe. Nós criamos essa definição para descrever como nos sentimos se não temos calor.
-E, existe a escuridão? Continuou o estudante.
O professor respondeu temendo a continuação do estudante: Existe!
O estudante respondeu:
-Novamente comete um erro, senhor, a escuridão também não existe. A escuridão na realidade é a ausência de luz. A luz pode-se estudar, a escuridão não! Até existe o prisma de Nichols para decompor a luz branca nas várias cores de que está composta, com suas diferentes longitudes de ondas. A escuridão não!
Continuou:
-Um simples raio de luz atravessa as trevas e ilumina a superfície onde termina o raio de luz.
Como pode saber quão escuro está um espaço determinado? Com base na quantidade de luz presente nesse espaço, não é assim?! Escuridão é uma definição que o homem desenvolveu para descrever o que acontece quando não há luz presente.
Finalmente, o jovem perguntou ao professor:
-Senhor, o mal existe?
Certo de que para esta questão o aluno não teria explicação, professor respondeu:
-Claro que sim! Lógico que existe. Como disse desde o começo, vemos estupros, crimes e violência no mundo todo, essas coisas são do mal!
Com um sorriso no rosto o estudante respondeu:
-O mal não existe, senhor, pelo menos não existe por si mesmo. O mal é simplesmente a ausência do bem, é o mesmo dos casos anteriores, o mal é uma definição que o homem criou para descrever a ausência de Deus. Deus não criou o mal. Não é como a fé ou como o amor, que existem como existem o calor e a luz. O mal é o resultado da humanidade não ter Deus presente em seus corações. É como acontece com o frio quando não há calor, ou a escuridão quando não há luz.
Por volta dos anos 1900, este jovem foi aplaudido de pé, e o professor apenas balançou a cabeça
permanecendo calado… Imediatamente o diretor dirigiu-se àquele jovem e perguntou qual era seu nome?
E ele respondeu:
ALBERT EINSTEIN, senhor!

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

GRAVES DENÚNCIAS CONTRA JOSÉ SERRA

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Depois de fingir desconhecer completamente o seu ex-amigo, ex-presidente e ex-nunca-chato-posado, Fernando Henrique Cardoso, e após renegar seus três irmãos: DR. DRAUZIO VARELLA, MARCOS CARUSO E MR. BURNS, o presidenciável previamente derrotado, José Serra tenta agora, desesperadamente, desmentir as mais perigosas denúncias contra a sua campanha.

Embora tenha sido visto, participando diariamente de rituais de exorcismo, o tucano com seus insípidos traços de EXTRATERRESTRE ELITISTA, não confirma ter mesmo recebido um telefonema do feiticeiro vocalista dos Rolling Stones, Mick Jagger afirmando estar torcendo por ele.

E AGORA JOSÉ?

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

A OUTRA FACE DO PASTOR TERRY JONES



"Uma religião não pode assumir que está errada, porque receberia a aprovação de Deus, e a desaprovação de seus fiéis. [ João 1:8,9]"

Ignorando a compaixão divina que representa o mais valioso legado cristão, e fomentando por 9 anos uma blasfematória intolerância religiosa, o piromaníaco pastor Terry Jones, líder de uma pequena igreja evangélica da Florida já reuniu vários exemplares do livro sagrado do Islão e declarou nesta quarta-feira, que no nono aniversário dos atentados do 11 de Setembro vai queimar todos os livros como uma forma de “confrontar o terrorismo”.


Não sou Católico, Evangélico, Budista, nem Ateu. Sou PANTEÍSTA! E conforme afirmava o romancista irlandês, George Bernard Shaw: "Dizer que um crente é mais feliz do que um céptico é como dizer que um bêbado é mais feliz que um sóbrio.”


Logo, queimar o Corão para confrontar o terrorismo, seria o mesmo que queimar a Bíblia em protesto do tribunal eclesiástico criado para punir os “crimes” contra a fé católica, que conhecido como a Santa Inquisição, de 1184 até 1736, matou enforcado, decapitado ou queimado cerca de nove milhões de pagãos. Ou incendiar o Vaticano em retaliação dos 3 mil casos de padres envolvidos em escândalos de pedofilia.


Todavia, ainda que sobriedade alguma consiga exorcizar o excomungado intento do estúpido pastor piromaníaco, fogo algum vai ser capaz de pulverizar o seu passado: Terry Jones foi condenado em 2002 por um tribunal da cidade alemã de Colônia a uma pena de três mil euros por falsidade documentária, ao afirmar que tinha um título de doutor que não possuía. Além disso, foi acusado de exploração laboral dos membros mais jovens de sua seita e de se apropriar indevidamente de fundos de seu grupo religioso, o que conduziu a sua primeira expulsão da comunidade religiosa que tinha fundado.

MEU AUTÓGRAFO ESTÁ VALENDO 2 REAIS






Bem, se o livro custa R$ 25,00 e o espertalhão revende por R$ 27,00 apenas por conta do meu autógrafo, é sinal que a minha assinatura não está valendo mais do que dois míseros reais. Mas afora um homônimo, quem pagaria mais caro por um livro com uma dedicatória no nome de outra pessoa?


quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Macaulay Culkin: Esqueceram dele agora na vida real





No dia 26 do mês passado (Agosto), o prematuro e deslembrado artista, Macaulay Culkin comemorou seus 30 anos sem nenhum estardalhaço da mídia e fazendo jus ao célebre adágio de Oscar Wilde:

“A vida imita a arte muito mais do que a arte imita a vida.” Ainda hoje, ele poderia tornar a interpretar o pequeno Kevin McCallister, e em perfeita harmonia com a realidade do seu contexto atual, repetir lamurioso e com bem mais veracidade, o título do filme que o fez famoso há duas décadas:


Esqueceram de Mim!

JUSTIN BIEBER É FILHO DE ROBERTO LEAL?



Embora a assessoria de imprensa do novo Menudo atrasado, Justin Bieber afirme ser apenas uma incrível coincidência capilar, fortes indícios inverídicos atestam que ele é mesmo filho do imorredouro cantor português Roberto Leal. SERÁ?

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Marcus Deminco: A LITERATURA E O ATO DE ESCREVER (2)

Marcus Deminco: A LITERATURA E O ATO DE ESCREVER (2)

A LITERATURA E O ATO DE ESCREVER (2). Por Marcus Deminco






Em alguns trechos do livro Bufo & Spallanzani (1986), o escritor e roteirista de cinema brasileiro, Rubem Fonseca também discorre sobre a literatura e o ato de escrever.


“O escritor é vítima de muitas maldições, mas a pior de todas é ter de ser lido. Pior ainda, ser comprado. Ter de conciliar sua independência com o processo de consumação. Kafka é bom porque não escrevia para ser lido. Mas por outro lado Shakespeare é bom porque escrevia de olho no shilling que cobrava de cada espectador. (V. Panofsky). Assim como o teatro não se salvará apenas com a coragem de escrever peças que ninguém queira assistir, a literatura também não se salvará apenas com a coragem de escrever outros Finnegans Wake.” (Rubem Fonseca, Bufo: 177).

“Aliás, escrever estava se tornando um tripalium, um sofrimento (de repente, imaginei-me sofrendo da síndrome de Virgínia Woolf e tremi de medo); o diabo é que para um escritor como eu, que precisava de dinheiro para sustentar o seu vício barregão, cada maldita palavra, um oh entre cem mil vocábulos, valia algum dinheiro. Escrever é cortar palavras, disse um escritor, que não devia ter amantes. Escrever é contar palavras, quanto mais melhor, disse outro que, como eu, precisava escrever um Bufo & Spallanzani a cada dois anos.” (ibdem, 188).

“Voltei para o quarto e tentei escrever Bufo & Spallanzani. Meu editor queria que eu escrevesse outro policial como Trápola. “Não inventa, por favor. Você tem leitores fiéis, dê a eles o que eles querem”, dizia o meu editor. A coisa mais difícil para o escritor é dar o que o leitor quer, pela razão muito simples de que o leitor não sabe o que quer, sabe o que não quer como todo mundo; e o que ele não quer, de fato, são coisas muito novas, diferentes do que está acostumado a consumir. Poder-se-ia dizer que, se o leitor sabe que não quer o novo, sabe, contrario sensu, que quer, sim, o velho, o conhecido, que lhe permite fruir, menos ansiosamente, o texto.” (ibdem, 170).


Em Escritores Criativos e Devaneio, pequeno ensaio de 1908, Freud lança as bases do que poderia se chamar de estética psicanalítica que se assenta na teoria, já esboçada por Aristóteles na Poética, de que há uma continuidade genética entre o brincar da criança e a criação artística.

"Nós, leigos, sempre sentimos uma intensa curiosidade (...) em saber de que fontes esse estranho ser, o escritor criativo, retira seu material, e como consegue impressionar-nos com o mesmo e despertar-nos emoções das quais talvez nem nos julgássemos capazes (...) A irrealidade do mundo imaginativo do escritor tem, porém, conseqüências importantes para a técnica de sua arte, pois muita coisa que, se fosse real, não causaria prazer, pode proporcioná-lo como jogo de fantasia, e muitos excitamentos que em si são realmente penosos, podem tornar-se uma fonte de prazer para os ouvintes e espectadores na representação da obra de um escritor". (Freud – Escritores criativos e devaneio, p. 136).

Para o filósofo alemão, Friedrich Nietzsche só haveria um meio de se libertar do dever, da verdade transcendental, do niilista fundado por Platão, e este meio é a arte. Por meio dela, a vida se torna possível. A arte é um meio de contrapor à vontade de negação, à vontade que desvaloriza a vida em nome dos valores superiores. A vida como obra de arte passa a afirmar da potência criadora que, por sua vez, difere dos valores eternos do cristianismo ou da razão grega que paralisam a vida fixando o sentido sobre as formas de existir.

Não fugindo muito destes conceitos, Franz Kafka fez do peso do mundo a potência de sua escrita e encontrou sua libertação na literatura. Em seu diário, encontramos: “Como não sou outra coisa senão literatura e nada posso ser ou quero de diverso, meu emprego nunca pode me monopolizar, embora bem possa me arruinar”. A vida, segundo a literatura de Kafka, é uma eterna incompreensão e o mundo, uma insensatez.
“Escrever é um sono mais profundo do que a morte.” Franz Kafka

Os personagens de Kafka, acompanhando seu próprio sentimento diante da vida, reduziam-se, transformavam-se, decaíam e pereciam diante da doença que, segundo ele, era a própria condição humana. Kafka escrevia para se afastar da sombra. Para sentir menos peso. Para se libertar das neuroses. Para desviar o valor transcendental que fixa um sentido único sobre o acontecido fazendo do próprio passado um peso presente. Um sintoma.


Já para a escritora inglesa Virginia Woolf, a literatura era mais que um exercício intelectual refinado. Era uma máquina de ressuscitar. Escreveu livros para antecipar o que o mundo poderia ser caso os homens fossem mais sensíveis e generosos. A literatura foi sua salvação. Nela, guardou sua alma. A vida lhe doía demais, e só conseguiu expressá-la – só conseguia viver – quando escrevia. Quando escrevia e mentia. No dia em que perdeu esse poder de reparação, perdeu também o rumo. Sem palavras, como poderia amar? Depois de se afastar de Vita Sackville, sua grande paixão, desinteressou-se das mulheres e dos homens. Desistiu de amar, embora conservasse o marido, Leonard. Reduziu seu mundo aos cães, às flores e à casa.

A partir daí, as palavras a lançavam contra o mundo. A mesma máquina que ressuscitava os mortos um dia a matou. Até que, em 1941, talvez porque estivesse viva demais, e a ação da máquina a duplicasse em proporções absurdas, Virginia, não tolerando mais o peso do mundo e o desenrolar das horas, encheu os bolsos com duas grandes pedras e, aos 59 anos, com os passos lentos de quem leva uma criança para passear, entrou no Rio Ouse.


Mas, como a loucura poderia ser entendida sob as idéias relativas aos limites e seus jogos de exclusão? Foucault é bem claro quanto a este problema, quando salienta que:

“[...] a loucura é a linguagem excluída – aquela que, contra o código da língua, pronuncia palavras sem significação (os ‘insensatos’, os ‘imbecis’, os ‘dementes’), ou a linguagem que pronuncia palavras sacralizadas (os‘violentos’, os ‘furiosos’), ou ainda a que faz passar significações interditadas (os ‘libertinos’, os ‘obstinados’) [...] a loucura não manifesta nem relata o nascimento de uma obra [...]; ela designa a forma vazia de onde vem essa obra, quer dizer o lugar de onde ela não cessa de estar ausente, no qual jamais a encontramos porque jamais ela aí se encontrou.”

A literatura seria uma espécie de delírio: fazer delirar a língua. Esta é a natureza da literatura. A literatura é um convite a delirar com o seu espaço experiencial, através de um ato insolente que sabota os códigos da linguagem. Rememorando aquilo que, em Contre Sainte-Beuve (1954), Proust sublinhou com tanta propriedade sobre a experiência escrita, Deleuze apresenta a relação do escrever com este delírio:

“O problema do escrever: o escritor, como diz Proust, inventa na língua uma nova língua, uma língua de algum modo estrangeira. Ela traz à luz novas potências gramaticais e sintáticas. Arrasta a língua para fora de seus sulcos costumeiros, leva-a a delirar.”

Em “A literatura e a vida” – Deleuze (1997) relaciona o delírio observado no ato da escrita literária e o minorar a língua. Escrever literatura seria enlouquecer a tal ponto a linguagem fazendo com que ela subverta os códigos majoritários de seu uso. Por isso, ele diz, com Proust, que fazer literatura é escrever em uma língua estrangeira.

“O que a literatura produz na língua já aparece melhor: como diz Proust, ela traça aí precisamente uma espécie de língua estrangeira, que não é outra língua, nem um dialeto regional redescoberto, mas um devir-outro da língua, uma minoração dessa língua maior, um delírio que a arrasta, uma linha de feitiçaria que foge ao sistema dominante.”

O romancista francês, Honoré de Balzac escrevia da meia-noite às oito da manhã, rodeado de candelabros e alimentando-se apenas de café. O escritor russo, Fiódor Dostoiévski, em 1844 pediu licença do exército com a idéia de ser exclusivamente dedicado à literatura, alugou uma casa em
São Petersburgo e dedicou-se à escrita de corpo e alma. No entanto, através da profundidade das análises psicológicas, das reflexões concernentes ao comportamento social e da busca incessante pelo seu estilo, Gustave Flaubert seria o maior expoente sobre o sofrível ato de escrever.

No início de novembro de 1851, ele escreve à amante, Louise Colet: "[...] Avanço penosamente no meu livro. Eu gasto bastante papel. Quantas rasuras! A frase demora a vir. Que diabo de estilo escolhi! Que desgraça os temas simples!". E conclui: "Eis-me comprometido por um ano pelo menos". Poucas semanas mais tarde, em fevereiro de 1852, percebe que previu mal o futuro: "[...] Isso está tomando proporções formidáveis em termos de tempo. Com certeza, eu ainda não terei terminado até o início do próximo inverno". E as dificuldades persistem: "Não escrevo mais que cinco ou seis páginas por semana".

Logo nos primeiros dias do mês de abril, Flaubert já se mostra inteiramente desesperado:

Estou mais cansado do que se empurrasse montanhas. Há momentos em que tenho vontade de chorar. É preciso uma vontade sobre-humana para escrever e eu sou apenas um homem. [...] Você sabe quantas páginas eu vou completar dentro de oito dias desde que voltei daí? Vinte. Vinte páginas em um mês e trabalhando pelo menos sete horas por dia; e qual o fim de tudo isto? O resultado? Amarguras, humilhações internas, nada em que se amparar a não ser a ferocidade de uma fantasia indomável.
Ainda no mês de abril, escrevendo à sua privilegiada interlocutora, ele revela sentimentos contraditórios:

Eu completei [...] vinte e cinco páginas (vinte e cinco páginas em seis semanas). Foram duras de conseguir. [...] Eu as trabalhei tanto, recopiei, mudei, remanejei, que no momento não vejo mais nada. [...] Levo uma vida áspera, deserta de qualquer alegria exterior e onde não tenho nada em que me apoiar a não ser uma espécie de raiva permanente, que às vezes chora de impotência, mas que é contínua. Eu gosto do meu trabalho com um amor frenético e pervertido, como um asceta do cilício que lhe arranha o ventre. Às vezes, quando eu me encontro vazio, quando a expressão se furta, quando, depois de ter garatujado longas páginas, descubro que não fiz nem uma frase, caio no meu divã e fico ali paralisado num pântano interior de tédio.
Eu me odeio e me acuso por essa demência de orgulho que me faz arquejar atrás da quimera. Um quarto de hora depois, tudo mudou; meu coração bate de alegria. Na última quarta-feira, eu fui obrigado a me levantar para apanhar meu lenço de bolso; é que as lágrimas corriam sobre o meu rosto. Eu me enterneci escrevendo, eu gozava, deliciosamente, da emoção de minha idéia e da frase que a revelava e da satisfação de tê-la encontrado.

Até o começo de junho do então ano de 1856, as cartas de Flaubert oscilam da alegria apática ao cansaço, do desespero ao encontro repentino de forças para perseverar, da repugnância ao prazer de conseguir a palavra correta para o que ele deseja dizer.

"Passo várias horas a procurar uma palavra", afirma em maio de 1852. No dia 23 do mesmo mês, sente-se "estéril como uma pedra". Mas em 18 de julho, comemora: "Quinta à noite, às duas horas da manhã, eu me deitei tão animado com meu trabalho que às três me levantei e trabalhei até o meio-dia. [...] Eu ainda sinto o gosto dessas trinta e seis horas olímpicas e fiquei contente, como na felicidade". Entretanto, passados quatro dias, se diz pronto a "recopiar, corrigir e rasurar toda a primeira parte", concluindo: "Que coisa desgraçada é a prosa! Não termina nunca; tem-se que refazer sempre". E logo depois, a 27 de julho, a constatação lapidar: "Ao escrever esse livro, eu sou como um homem que tocasse piano com bolas de chumbo sobre cada falange".

No dia 26 de outubro, afirma ter "vinte e sete páginas (quase prontas) que são o trabalho de dois grandes meses". Em janeiro de 1853, diz ter conseguido 65 páginas em cinco meses. Em abril, contando a partir de janeiro, alcança a marca de 39 páginas. E em meio à "fadiga" e à "fetidez do tema", que se alastram por todo o abril, ele lamenta: "Há três semanas que estou a escrever dez páginas! Passo dias inteiros a mudar palavras repetidas, a evitar assonâncias! E quando trabalho bem, estou menos adiantado no fim do dia do que no começo".

Todavia, ao iniciar o mês de outubro, Flaubert confidencia detestar o livro e a si mesmo:

Este livro, no ponto em que estou, me tortura de tal modo (e se eu achasse uma palavra mais forte, eu a empregaria) que eu fico às vezes doente fisicamente. Há três semanas que tenho com freqüência dores de fazer desmaiar. De outras vezes, são opressões, ou melhor, vontade de vomitar na mesa. Tudo me desgosta. Acho que hoje me teria enforcado com delícia, se o orgulho não me tivesse impedido. É certo que às vezes sou tentado a mandar tudo se foder, e a Bovary em primeiro lugar. Que santa idéia maldita eu tive em apanhar um tema semelhante! Ah! eu bem os conheci, os pavores da Arte!

Pouco antes do Natal, entretanto, às duas da madrugada, Flaubert, apesar de "fatigado com a lentidão" e de temer "o despertar, as desilusões das páginas recopiadas", é um homem seduzido pela escrita:

[...] Bem ou mal, é uma coisa deliciosa escrever, não ser mais para si mesmo, mas circular em toda a criação de que se fala. Hoje, por exemplo, homem e mulher tudo junto, um e outro amante ao mesmo tempo, eu passeei a cavalo, numa floresta, por uma tarde de outono, sob folhas amarelas, e eu era os cavalos, as folhas, o vento, as palavras que eles diziam e o sol vermelho que fazia entrecerrar as pálpebras afogadas de amor. É orgulho ou piedade, é o extravasamento néscio de uma auto-satisfação exagerada? Ou então um vago e nobre instinto de religião? Mas quando eu rumino, depois de tê-las sentido, estas alegrias, vejo-me tentado a fazer uma oração de agradecimento ao bom Deus, se eu soubesse que ele me ouviria. Que ele seja bendito por não me ter feito nascer negociante de algodão, escritor de vaudeville, homem espirituoso etc.!

Mais tarde, em 18 de abril de 1854, ele reclamará novamente: "Quando é que virá o dia bem-aventurado em que escreverei a palavra fim? Em setembro, vão fazer três anos que estou neste livro. É muito, três anos passados sobre a mesma idéia, a escrever com o mesmo estilo [...], a viver sempre com os mesmos personagens, no mesmo meio, com os flancos de encontro à mesma ilusão".

No ano seguinte, em maio de 1855, escrevendo ao amigo Louis Bouilhet, diz temer que o fim do romance pareça "acanhado, pelo menos como dimensão material". Quando setembro está prestes a terminar, trabalha "mediocremente e sem gosto ou talvez com desgosto" e se diz "verdadeiramente cansado". Finalmente, a 1º de junho de 1856, revela a Bouilhet ter enviado o manuscrito ao editor - mas só depois de suprimir "cerca de trinta páginas, sem contar nisso aí muitas linhas subtraídas", além de detalhar vários outros cortes.

Se há várias maneiras de narrar uma história, há um número quase infinito de se escrever uma biografia. Esse período de 1851 a 1856 poderia ser visto sob diversos prismas, mas prefiro pensar nesses anos torturados como uma seqüência de meses centrais na carreira do escritor, não apenas por terem resultado em Madame Bovary, mas principalmente pelas centenas de páginas jogadas no lixo, pelo número inexprimível de palavras rasuradas e frases refeitas, pelas horas de angústia e pelo gozo, ainda que efêmero, de chegar a um resultado - uma infatigável luta com as palavras.

Flaubert não estabeleceu apenas um método de trabalho. Sim, ele sabia que "todo talento de escrever não consiste senão na escolha das palavras. É a precisão que faz a força" - diz a Louise Colet, a 22 de julho de 1852. Mas não se tratou somente de disciplina. Flaubert tinha consciência das correntes que o prendiam, maiores que os seus próprios limites. Sabia que a expressão humana é claudicante, falha, imperfeita; que há um abismo separando a idéia e o discurso, a emoção e a palavra.

Em certo trecho, Flaubert conclui que "a palavra humana é como um caldeirão rachado, no qual batemos melodias próprias para fazer dançar os ursos, quando desejaríamos enternecer as estrelas". Ter a clara consciência da imperfeição, da rudeza dos meios humanos, do idioma, e ainda assim persistir, demanda mais que obediência a um método: exige obsessão, exige viver em um mórbido estado de vigilância e pesquisa, cuja primeira conseqüência é a solidão, e, logo a seguir, a visão fatal de seus semelhantes como uma horda de estúpidos e insensíveis. De fato, em 22 de abril de 1853, ele escreve: "O único meio de viver em paz é colocar-se, de um salto, acima da humanidade inteira e não ter nada em comum com ela, a não ser pelo olhar".
Permeio a sua busca obsessiva de "impessoalidade" e da originalidade no estilo, suscita um comprometimento físico do autor em sua obra:
FLAUBERT DIZIA TER VOMITADO QUANDO ESCREVEU A CENA DO ENVENENAMENTO DE MADAME BOVARY.

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Marcus Deminco: A LITERATURA E O ATO DE ESCREVER (1)

A LITERATURA E O ATO DE ESCREVER (1) por Marcus Deminco

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Derivada do latim litterae, que quer dizer letras, a palavra literatura significa uma instrução ou um conjunto de saberes ou habilidades de escrever e ler bem, e relaciona-se com as artes da gramática, da retórica e da poética. Por extensão, refere-se especificamente à arte ou ao ofício de escrever. Todavia, vejamos o conceito da literatura sob o ponto de vista de alguns escritores.

“Para mim, o ato de escrever é muito difícil e penoso, tenho sempre de corrigir e reescrever várias vezes. Basta dizer, como exemplo, que escrevi 1100 páginas datilografadas para fazer um romance no qual aproveitei pouco mais de 300.” Fernando Sabino.

“Escrever é um trabalho duro. Uma frase clara não sai por acidente e poucas saem na primeira, na segunda ou mesmo terceira tentativa. Lembre-se disso como consolo nos momentos de desespero.” 
William Zinsser.

“Reescrevi trinta vezes o último parágrafo de Adeus às Armas antes de me sentir satisfeito.” Ernest Hemingway.

“Escrever é uma chatice. Gosto mais de ler do que de escrever [...] Todo dia, antes de começar a escrever, eu lia o meu livro desde o começo, de maneira que ele ficava todo na minha mão." 
Chico Buarque.

"Escrever é um sofrimento." Claude Lévi-Strauss.

"Escrever livros dá trabalho" – 
Gabriel García Márquez durante a Feira do Livro de Guadalajara, no México.

“Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm. A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida - umas porque usam de fórmulas visíveis e, portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana. Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso." Fernando Pessoa.

"[...] talvez porque para as outras vocações eu precisaria de um longo aprendizado, enquanto que para escrever o aprendizado é a própria vida se vivendo em nós e ao redor de nós. É que não sei estudar. E, para escrever, o único estudo é mesmo escrever." – Clarice Lispector – ao ser perguntada sobre os motivos que escolheu a literatura para sua vocação.

"É preciso coragem. Uma coragem danada. Muita coragem é o que eu preciso. Sinto-me tão desamparada, preciso tanto de proteção... porque parece que sou portadora de uma coisa muito pesada. Sei lá porque escrevo! Que fatalidade é esta?" Clarice Lispector.

 “Já que se há de escrever, que pelo menos não se esmaguem com palavras as entrelinhas.” Clarice Lispector.

“Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada.” Clarice Lispector.

“Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse sempre a novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias.” 
Clarice Lispector.

"Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada... Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro...” Clarice Lispector.

"Escrever é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocador. Escrever é também abençoar uma vida que não foi abençoada." Clarice Lispector.

 “Escrevo porque encontro nisso um prazer que não consigo traduzir. Não sou pretensiosa. Escrevo para mim, para que eu sinta a minha alma falando e cantando, às vezes chorando..." 
Clarice Lispector.

"Minha liberdade é escrever. A palavra é o meu domínio sobre o mundo." Clarice Lispector.

Jorge Amado dizia que, a partir de certo momento de seu processo criativo, os personagens passavam a ter ida própria, tirando dele parte do controle sobre seus destinos. Através do poema “O lutador”, Carlos Drummond de Andrade expressa a sua luta com as palavras, tentando atraí-las para perto de si.

Lutar com palavras é a luta mais vã. Entanto lutamos mal rompe a manhã. São muitas, eu pouco. Algumas, tão fortes como o javali. Não me julgo louco. Se o fosse, teria poder de encantá-las.Mas lúcido e frio,apareço e tento apanhar algumas para meu sustento num dia de vida.Deixam-se enlaçar,tontas à carícia e súbito foge-me não há ameaça e nem 3 há sevícia que as traga de novo ao centro da praça. 
Insisto solerte. Busco persuadi-las. Ser-lhes-ei escravo de rara humildade. Guardarei sigilo de nosso comércio. Na voz, nenhum travo de zanga ou desgosto. Sem me ouvir deslizam, perpassam levíssima se viram-me o rosto.Lutar com palavras parece sem fruto.Não têm carne e sangue…Entretanto, luto. Palavra, palavra (digo exasperado), se me desafias, aceito o combate. Quisera possuir-te neste descampado, sem roteiro de unha ou marca de dente nessa pele clara. Preferes o amor de uma posse impura e que venha o gozo da maior tortura. Luto corpo a corpo, luto todo o tempo, sem maior proveito que o da caça ao vento. Não encontro vestes, não seguro formas, é fluido inimigo que me dobra os músculos e ri-se das normas da boa peleja. Iludo-me às vezes, pressinto que a entregasse consumará. Já vejo palavra sem coro submisso, esta me ofertando seu velho calor, aquela sua glória feita de mistério, outra seu desdém, outra seu ciúme, e um sapiente amor me ensina a fruir de cada palavra a essência captada, o sutil queixume. Mas ai! é o instante de entreabrir os olhos:entre beijo e boca, tudo se evapora. O ciclo do dia ora se conclui 8 e o inútil duelo jamais se resolve. O teu rosto belo, ó palavra, esplende na curva da noite que toda me envolve. Tamanha paixão e nenhum pecúlio. Cerradas as portas, a luta prossegue nas ruas do sono.

O gigolô das palavras (Luis Fernando Veríssimo).
Quatro ou cinco grupos diferentes de alunos do Farroupilha estiveram lá em casa numa mesma missão, designada por seu professor de Português: saber se eu considerava o estudo da Gramática indispensável para aprender e usar a nossa ou qualquer outra língua. Cada grupo portava seu gravador cassete, certamente o instrumento vital da pedagogia moderna, e andava arrecadando opiniões. Suspeitei de saída que o tal professor lia esta coluna, se descabelava diariamente com suas afrontas às leis da língua, e aproveitava aquela oportunidade para me desmascarar. Já estava até preparando, às pressas, minha defesa ("Culpa da revisão! Culpa da revisão!"). Mas os alunos desfizeram o equívoco antes que ele se criasse. Eles mesmos tinham escolhido os nomes a serem entrevistados. Vocês têm certeza que não pegaram o Veríssimo errado? Não. Então vamos em frente.
Respondi que a linguagem, qualquer linguagem, é um meio de comunicação e que deve ser julgada exclusivamente como tal. Respeitadas algumas regras básicas da Gramática, para evitar os vexames mais gritantes, as outras são dispensáveis. A sintaxe é uma questão de uso, não de princípios. Escrever bem é escrever claro, não necessariamente certo. Por exemplo: dizer "escrever claro" não é certo, mas é claro, certo? O importante é comunicar. (E quando possível surpreender, iluminar, divertir, mover... Mas aí entramos na área do talento, que também não tem nada a ver com Gramática). A Gramática é o esqueleto da língua. Só predomina nas línguas mortas, e aí é de interesse restrito a necrólogos e professores de Latim, gente em geral pouco comunicativa. Aquela sombria gravidade que a gente nota nas fotografias em grupo dos membros da Academia Brasileira de Letras é de reprovação pelo Português ainda estar vivo. Eles só estão esperando, fardados, que o Português morra para poderem carregar o caixão e escrever sua autópsia definitiva. É o esqueleto que nos traz de pé, certo, mas ele não informa nada, como a Gramática é a estrutura da língua, mas sozinha não diz nada, não tem futuro. As múmias conversam entre si em Gramática pura.
Claro que eu não disse isso tudo para meus entrevistadores. E adverti que minha implicância com a Gramática na certa se devia à minha pouca intimidade com ela. Sempre fui péssimo em Português. Mas - isso eu disse - vejam vocês, a intimidade com a Gramática é tão indispensável que eu ganho a vida escrevendo, apesar da minha total inocência na matéria. Sou um gigolô das palavras. Vivo às suas custas. E tenho com elas exemplar conduta de um cáften profissional. Abuso delas. Só uso as que eu conheço, as desconhecidas são perigosas e potencialmente traiçoeiras. Exijo submissão. Não raro, peço delas flexões inomináveis para satisfazer um gosto passageiro. Maltrato-as, sem dúvida. E jamais me deixo dominar por elas. Não me meto na sua vida particular. Não me interessa seu passado, suas origens, sua família nem o que outros já fizeram com elas. Se bem que não tenho o mínimo escrúpulo em roubá-las de outro, quando acho que vou ganhar com isto. As palavras, afinal, vivem na boca do povo. São faladíssimas. Algumas são de baixíssimo calão. Não merecem o mínimo respeito.
Um escritor que passasse a respeitar a intimidade gramatical das suas palavras seria tão ineficiente quanto um gigolô que se apaixonasse pelo seu plantel. Acabaria tratando-as com a deferência de um namorado ou a tediosa formalidade de um marido. A palavra seria a sua patroa! Com que cuidados, com que temores e obséquios ele consentiria em sair com elas em público, alvo da impiedosa atenção dos lexicógrafos, etimologistas e colegas. Acabaria impotente, incapaz de uma conjunção. A Gramática precisa apanhar todos os dias pra saber quem é que manda.

sábado, 4 de setembro de 2010

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sexta-feira, 3 de setembro de 2010

COLEÇÃO DE TEXTOS EM E-Cards (3)

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