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sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Oração para Nova Semana – por Marcus Deminco


– SENHOR! ABENÇOA A NOSSA SEMANA –

QUE eu mantenha o meu otimismo vivo, mesmo quando todos já tiverem desistido de acreditar. QUE eu não me perca do destino, por mais caminhos desvirtuados que eu tenha que trilhar. QUE a minha fé permanece acima de todas as minhas promessas solidificadas no desquerer do acaso. QUE eu possa aprender tanto com os meus erros, a ponto de evitar que outros passem pelos mesmos sofrimentos. QUE ao sentir as dores alheias eu seja capaz de dilui-las em aflições pelo simples desejo de querer-lhes bem. QUE eu compreenda que nem todas as verdades cabem em todos os ouvidos. QUE diante de todas as razões para abandonar uma pessoa, eu encontre apenas um único motivo para não deixá-la. QUE eu acredite em meus maiores sonhos, mesmo quando todos disserem que será impossível. QUE eu consiga sempre enxergar a luz, nas noites de maiores escuridão. QUE em todo tempo, e diante de qualquer situação, a minha esperança seja superior as minhas maiores desilusões. QUE a minha crença supere todas as dúvidas intermitentes da vida. QUE eu compreenda que nem tudo precisa ser explicado, algumas coisas apenas no silêncio de senti-las ultrapassam qualquer entendimento. QUE a minha alegria seja maior que apenas para mim, e que o meu desejo de ser feliz seja infinitamente maior do que qualquer receio de me machucar novamente. MAS, que acima de tudo, somente a tua vontade prevaleça sobre todos os meus anseios. Que assim seja. AMÉM!
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Oração para Nova Semana – por Marcus Deminco

terça-feira, 6 de junho de 2017

O Segredo de Clarice Lispector (Resenha @Livrosemrabisco)



OSegredo de Clarice Lispector. Resenha ✅ Moço, em obséquio, como faz pra ir embora? Lea Leopoldina carrega um filho na barriga e uma única esperança: sair da miséria do sertão e tantar uma vida melhor na cidade. . "Se Deus realmente existisse como eles criam, tivera sido injusto demais com todos os sertanejos. Aquela imensidão de água azul sobrando, diante da miséria deles, feria as regras da lógica, as leis da coerência. Era um insulto, uma aberração um tapa metafórico, mas bem dolorido na cara" Chegando à cidade, encontra uma realidade muito diferente da que imaginava, vendo-se tão logo como pedinte para alimentar a si e seu filho. É neste ponto que sua vida cruza com Jovino. Há dois anos atrás, exato momento em que o filho de Lea nascia, ele enterrava sua mulher e o filho recém-nascido. Buscando através de cartomantes um indício de mudança em sua vida, Jovino descobre que um menino com nome celestial iluminará sua vida. E é então que sua vida se junta a de Lea e João Bento Gabriel, o bentinho. Sem delongas, não vou contar aqui a trama toda, que de forma bastante inteligente, acaba por se ligar a Clarice Lispector e o antigo pseudônimo Helen Palmer, que a autora usou para escrever anonimamente. Por um motivo ou outro, minha trajetória na literatura ainda não passou pelas sábias palavras de Clarice. Ao me deparar com um título tão sugestivo sobre a vida da escritora, me perguntei o quanto encontraria nestas páginas de realidade e de ficção. A resposta, para quem também ficou curioso, é: um realismo fantástico, com um pouco de realidade entrelaçada a uma história muito bem narrada. É uma escrita rica, com detalhes e fora da narrativa central, relata fatos verídicos sobre a autora e seus segredos. Indico a todos que apreciem boas histórias, este com certeza é um dos melhores livros que li este ano. Gostou? Aproveita e baixa o e-book, que está gratuito HOJE na @amazonbrasil ❤
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quinta-feira, 18 de maio de 2017

O Segredo de Clarice Lispector - Por Livro Sem Rabisco




"Desistir?! [...] Como posso desistir com tantos livros guardados em mim? Com tanta história clamando para ser contada?" . Oie! Minha nova leitura - O Segredo de Clarice Lispector, do autor @demincomarcus Acho que nunca ouvi algo tão certo quanto o que me disse Marcus ao enviar o livro: vai devorar em uma só sentada! E não é que era verdade? Comecei ontem e já foram 80 páginas 😮 isso pq sou uma pessoa quase sem tempo nesses últimos dias. Vou deixar a sinopse e logo volto pra contar como vai o andamento do livro ❤ Sinopse A história de Clarice Lispector que ninguém jamais contou. Afinal, por que a autora brasileira era conhecida como A Grande Bruxa da Literatura Brasileira? Que espécie de vínculo Clarice teria estabelecido com a feitiçaria? Por que seu próprio amigo Otto Lara Resende advertia alguns leitores para tomarem cuidado com Clarice, alegando não se tratava apenas de literatura, mas de bruxaria? “O 7 era meu número secreto e cabalístico”. Há 7 notas com as quais podem ser compostas “todas as músicas que existem e que existirão”; e há uma recorrência de “adições teosóficas”, números que podem ser somados para revelar uma quantia mágica, Eu vos afianço que 1978 será o verdadeiro ano cabalístico. Portanto, mandei lustrar os instantes do tempo, rebrilhar as estrelas, lavar a lua com leite, e o sol com ouro líquido. Cada ano que se inicia, começo eu a viver outra vida.” – E, muito embora ela tenha morrido apenas algumas semanas antes de começar o então ano cabalístico, sem dúvida alguma, todos esses hábitos ritualísticos, esclareceram a verdadeira razão pela qual – aceitou com presteza e entusiasmo – o inusitado convite do ocultista colombiano, Bruxo Simón, para participar como palestrante – do 1º Congresso Mundial de Bruxaria organizado por ele. #osegredodeclaricelispector #claricelispector #marcusdeminco #livronacional

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domingo, 9 de abril de 2017

– O Segredo de Clarice Lispector – A Verdade que Ninguém Jamais Contou. (Preço Promocional)





– O Segredo de Clarice Lispector – 
A Verdade que Ninguém Jamais Contou. 
(Preço Promocional: http://a.co/bSe3rFL)

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O Segredo de Clarice Lispector (A História que Ninguém Contou)



quarta-feira, 15 de março de 2017

Vertygo – O Suicídio de Lukas (por: Livro Sem Rabisco)




Multiverso, Delírio ou Fantasia?
Sincronicidade, Coincidência ou Destino?
Universo Paralelo, Alucinação ou Fuga Da Realidade?
– Bem Vindo À Vertygo –

            Dica de leitura nacional pra quem adora mistério. Vertygo, O suicídio de Lukas, aborda, entre outros fenômenos da mente, a teoria da sincronicidade. Será que tudo que está para acontecer tem algum significado?

O livro de Marcus Deminco inicia com o que talvez seja uma das mais difíceis decisões sobre a vida, o suicídio. A que ponto da vida uma pessoa precisa chegar para precisar desistir? E o que faz com que algumas enfrentem tudo sem sequer pensar nessa hipótese?

Lukas de Castro decidiu que aos 33 anos já viveu o suficiente. Fato é que uma depressão tão grande tomou-lhe conta, que nem mais seus mais agradáveis passatempos conseguiam lhe alegrar. Parou de dar antroponímia na faculdade onde lecionava, deixou de lado seu cachimbo e seus discos de Jazz e permitiu somente que a vontade de morrer crescesse em seu interior.

Mas então, qual seria a melhor forma de morrer? Lukas sabia que deveria no mínimo ser de uma forma digna e sem falhas, e são nesses questionamentos que uma ideia lhe passa pela cabeça: 
“O que acontecerá com as faturas dos meus cartões de créditos quando eu morrer? Quem vai pagá-las?”

Com esse pensamento, Lukas decidiu que poderia ter, em seu último dia de vida, todo luxo que do qual se privara até aquele dia. Encomendou seu funeral, desfrutou de um bom almoço, comprou caras lembranças para seus entes queridos e partiu para um hotel de luxo de onde escolhera se jogar.

Mas Lukas, que havia usado seu conhecimento em antroponímia para ligar às "casualidades" do seu dia, não poderia imaginar a surpresa que o encontraria no quarto do hotel: 
Um belo Komboloi grego com a seguinte escrita cravejada: ΚαλώςήρθεςστοΒέρτιγκο (Bem vindo à VERTYGO)”.

A menção à enigmática ilha faz com que repentinamente Lukas mude, mesmo que temporariamente, seus planos, fazendo com que ele embarque em uma viagem alucinante em busca dos segredos de Vertygo.

Amo livros com temáticas diferentes, como é o caso de Vertygo. O autor usa de um certo suspense já na sinopse, nos inserindo profundamente dentro dos sentimentos e pensamentos do personagem. Sabemos que há um mistério nessa trajetória até a ilha, mas a surpresa no final é inimaginável. Considerei o livro um verdadeiro plot twist, daqueles onde todas as suposições não serão o suficiente.

Sou fã dos mistérios do subconsciente e Marcus soube explorar muito bem todos esses aspectos no enredo da história.  Uma leitura envolvente, que com certeza vai surpreender muitos leitores em sua jornada.



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O autor

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhDAT5PWvBJ7V9D7ut8MZgVeqN7bKIcr-MoT2wE0wqlwYlD9_N-SaJLlWGeA-zlJzMJRcwHiA-lutsIEk2XXS7UJZ1YxgZ_wal13cxwoBuoZ0nukIZXIfp2ZH6g-Rg3marw6bTxYKzqdRo/s400/marcusdeminco.jpg

Marcus Deminco é Escritor e Psicólogo brasileiro. Professor de Educação Física, tutor de Programação Neurolinguística e Dr. h. c. em Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).







domingo, 12 de março de 2017

Os Cegos & O Elefante





Há muitos anos vivia na Índia um rei sábio e muito culto. Já havia lido todos os livros de seu reino. Seus conhecimentos eram numerosos como os grãos de areia do Rio Ganges. Muitos súditos e ministros, para agradar o rei, também se aplicaram aos estudos e às leituras dos velhos livros. Mas, viviam disputando entre si quem era o mais conhecedor, inteligente e sábio. Cada um se arvorava em ser o dono da verdade e menosprezava os demais. O rei se entristecia com essa rivalidade intelectual. Resolveu, então, dar-lhes uma lição. Chamou-os todos para que presenciassem uma cena no palácio.
Bem no centro da grande sala do trono estavam alguns belos elefantes. O rei ordenou que os soldados deixassem entrar um grupo de cegos de nascença. Obedecendo às ordens reais, os soldados conduziram os cegos para os elefantes e, guiando-lhes as mãos, mostraram-lhes os animais. Um dos cegos agarrou a perna de um elefante; o outro segurou a cauda; outro tocou a barriga; outro, as costas; outro apalpou as orelhas; outro, a presa; outro, a tromba.
O rei pediu que cada um examinasse bem, com as mãos, a parte que lhe cabia. Em seguida, mandou-os vir à sua presença e perguntou-lhes:
– Com que se parece um elefante? – E Começou uma discussão acalorada entre os cegos. Aquele que agarrou a perna respondeu:
– O elefante é como uma coluna roliça e pesada.
– Errado! – interferiu o cego que segurou a cauda. – O elefante é tal qual uma vassoura de cabo maleável.
– Absurdo! – gritou aquele que tocou a barriga. – É uma parede curva e tem a pele semelhante a um tambor.
– Vocês não perceberam nada – desdenhou o cego que tocou as costas. – O elefante parece-se com uma mesa abaulada e muito alta.
– Nada disso! – resmungou o que tinha apalpado as orelhas. – É como uma bandeira arredondada e muito grossa que não para de tremular.
– Pois eu não concordo com nenhum de vocês – falou alto o cego que examinara a presa. – Ele é comprido, grosso e pontiagudo, forte e rígido como os chifres.
– Lamento dizer que todos vocês estão errados – disse com prepotência o que tinha segurado a tromba. – O elefante é como a serpente, mas flutua no ar.
O rei se divertiu com as respostas e, virando-se para seus súditos e ministros, disse-lhes:
– Viram? Cada um deles disse a sua verdade. E nenhuma delas responde corretamente a minha pergunta. Mas se juntarmos todas as respostas poderemos conhecer a grande verdade. Assim são vocês: “Cada um tem a sua parcela de verdade. Se souberem ouvir e compreender o outro e se observarem o mundo de diferentes ângulos, chegarão ao conhecimento e à sabedoria”.
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Conto do budismo chinês. Por DOMINGUES, Joelza Ester.

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Os Cegos & O Elefante Em Poesia – John Godfrey Sax
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Seis homens sábios do Industão, Uma terra bem distante, Ouviram atentos, os boatos Sobre um animal gigante E apesar de serem cegos Foram ver o elefante.

O primeiro passou as mãos Sobre a barriga dura e falha, E explicou bem confiante:
“Minha análise não falha: Esse tal de elefante Mais parece uma muralha!”

O segundo tocou as presas E proclamou com confiança:
“Este tal de elefante Não é brincadeira para criança. Tão pontudo e afiado Mais parece uma lança!”

O terceiro chegou à tromba Elogiando a bela obra:
“… Tão comprido, e gelado, Vejam só, ele até dobra! O flexível elefante Mais parece uma cobra!”

O quarto sentiu a pata E teve logo a recompensa Percebendo as semelhanças Anunciou com indiferença:
“Este animal mais se parece Com uma árvore imensa!”

O quinto tocou as orelhas E sugeriu conservador:
“Mas que belo utensílio Nestas tardes de calor, Este tal de elefante, Mais parece um abanador!”

O sexto subiu às costas Despencando na outra borda E pendurado ao rabo, disse:
“Não sei se alguém discorda, Mas para mim esse animal Mais se parece com uma corda!”

E então os sábios homens Discutiram inconformados Cada um com seu discurso Sem ouvir os outros lados Pois estavam certos, em partes. Mas completamente errados!

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segunda-feira, 7 de novembro de 2016

O Poder da Audácia






Conta uma antiga lenda que, na Idade Média, um homem muito religioso foi injustamente acusado de ter assassinado uma mulher. Na verdade, o autor era uma pessoa influente do reino e, por isso, desde o primeiro momento procurou-se um "bode expiatório" para acobertar o verdadeiro assassino. O homem foi levado a julgamento e seria condenado à forca. Ele sabia que tudo iria ser feito para condená-lo e que teria poucas chances de sair vivo desta história.
O juiz, que também estava comprado para levar o pobre homem à morte, simulou um julgamento justo, fazendo uma proposta ao acusado para que provasse sua inocência. Disse o juiz:
– Sou de uma profunda religiosidade e por isso vou deixar sua sorte nas mãos de Deus. Vou escrever em um papel a palavra INOCENTE em outro, a palavra CULPADO. Você sorteará um dos papéis e aquele que sair será o seu veredicto. Deus decidirá seu destino, determinou o juiz.
Sem que o acusado percebesse, o juiz preparou os dois papéis, mas em ambos escreveu CULPADO, de maneira que, naquele instante, não existia nenhuma chance do acusado se livrar da forca. Não havia saída. Não havia alternativas para o pobre homem. O juiz colocou os dois papéis em uma mesa e mandou o acusado escolher um deles. O homem pensou alguns segundos, aproximou-se confiante da mesa, pegou um dos papéis e rapidamente colocou-o na boca e o engoliu. Os presentes ao julgamento reagiram surpresos e indignados com a atitude do homem.
– Mas o que você fez? E agora? Como vamos saber qual o seu veredicto?
– É muito fácil! – respondeu o homem. Basta olhar o papel que sobrou e vocês saberão que acabei engolindo o contrário dele. Imediatamente o homem foi libertado.
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Por mais difícil que seja uma situação, não deixe de acreditar e de lutar até o último momento. Seja criativo! Porém, quando tudo parecer perdido, ouse e seja mais audacioso!

domingo, 6 de novembro de 2016

O Oleiro E O Poeta






Há muitos e muitos anos atrás, um oleiro decorava e pintava um lindo vaso, quando uma pedra, vinda da direção da rua, acertou em cheio um dos vasos de sua produção.
Indignado e furioso, o oleiro gritava a sua indignação com palavrões e impropérios de fazer doer os ouvidos de qualquer pessoa minimamente decente. Então, correu até a porta da sua olaria onde já havia um monte de curiosos, diante do grande culpado: um poeta. A multidão – doida por uma confusão – esperava o enfrentamento das partes envolvidas.
O poeta e o oleiro foram levados ao juiz, um homem bondoso e calmo, que, ao ver a irritação do oleiro, foi logo perguntando:
– O que se passa? Por que tanta irritação. Você foi agredido?
O oleiro respondeu:
– Sim, senhor juiz, eu fui agredido. Eu estava trabalhando na minha oficina, fazendo vasos para vender, quando uma pedra atingiu um belo vaso que eu acabara de moldar. Fora esse poeta desavisado quem atirou uma pedra e acertou minha obra, partindo-a em um montão de pedaços. Isso é um absurdo. Quero uma indenização pelo dano causado.
Virando-se para o poeta, o juiz perguntou:
– É verdade o que diz o oleiro? Por que você fez isso? O que você diz em sua própria defesa?
– Senhor juiz – respondeu o poeta – há três dias passava eu à porta do oleiro, quando percebi que ele declamava um dos meus poemas. Ao notar que os versos estavam errados, aproximei-me dele delicadamente e ensinei-lhe a forma correta, que ele repetiu sem nenhuma dificuldade. No dia seguinte, passei por lá outra vez e ele declamava-os novamente, mas completamente deturpados. Com toda a paciência, ensinei mais uma vez o meu poema ao oleiro, pedindo a ele que não os depreciasse. Hoje, ao voltar do trabalho, para minha surpresa, ao passar na sua porta, escutei-o declamando meus versos com rimas estropiadas, estragando completamente os minha obra. Então, apanhei uma pedra do chão e parti-lhe um dos seus bonitos vasos. O meu procedimento foi a resposta de um poeta ferido na sua sensibilidade artística diante de um indivíduo grosseiro e insensível à beleza da poesia.
Ao ouvir estas alegações, o juiz disse ao oleiro:
– Espero que você tenha aprendido a lição. Respeite as obras alheias a fim de que os outros artistas respeitem as suas. Se você se julgou no direito de estragar os versos do poeta, achou-se ele também com o direito de partir o seu vaso. Lembre-se de que se o poeta é o oleiro da frase, o bom oleiro é o poeta da cerâmica!
E continuou o juiz:
– Determino que o oleiro fabrique um novo vaso de linhas perfeitas e cores harmoniosas, no qual o poeta escreverá um dos seus lindos poemas. Esse vaso será vendido em leilão e o produto dessa venda será dividido igualmente entre os dois.
E assim foi feito. E tal foi o sucesso da venda do vaso que o oleiro e o poeta resolveram fazer novos vasos com novos poemas… E foram tantas as encomendas que o oleiro e o poeta se viram trabalhando juntos, decidindo os formatos e os desenhos dos vasos que combinassem com a harmonia e a beleza dos versos. Nasceu daí grande parceria e bela amizade!

A Borboleta Azul E A Pedra






Que bom seria se nossos fardos e mazelas fossem meras maldições de criaturas das trevas e afins. Que bom seria se as bruxas das fábulas existissem, pois assim poderíamos caçá-las  à boa moda da inquisição e delas nos livraríamos juntamente com suas pragas e feitiçarias.
Mas que triste sina essa a nossa: somos nossos próprios algozes, somos nossos próprios benfeitores e nem sempre o controle disso está nas mãos da nossa razão consciente.
Lá vai então uma singela história de uma borboleta que, no cruzamento de sua história gravada na consciência ou não, vivia amarrada a uma pedra que não apenas lhe impedia de voar, mas também violentamente lhe dilacerava o corpo sempre que minimamente o tentasse.
Assim, entre o desejo de misturar o azul de suas asas ao azul do céu e o sentimento de proibição de qualquer mover de asas, ia vivendo dia após dia uma borboleta azul.
Coisa esquisita… era uma borboleta poderosa! Quem quer que lhe pousasse os olhos, por ela se encantava como que enfeitiçado por uma sensualidade irresistível. Olhar a borboleta, tocar a borboleta, ou até mesmo farejar sua existência punha em riste almas e falos… fazia disparar, ribombar corações!
Era uma sensação indescritível… um corpo que poderia passar despercebido, um corpo como de uma mulher como qualquer outra, se transformava em corpo de fantasia, fantasia de desejo, desejo enlouquecedor que não se saciaria nem que se sorvesse todo o azul daqueles poros, daquela pele tatuada, até fazer desaparecer o azul da borboleta.
Não, nem que se arrancasse toda a pele, seria possível fazer desaparecer a tatuagem da borboleta azul, pois se a pele traz suas inscrições, a alma traz sua escritura… como livro dos antigos… como história-mor… como essência maior dos múltiplos sentidos da borboleta azul.
E assim entre o desejo maior de todos e a entrega proibida vivia e ainda vive uma borboleta atada à uma pedra.
Pelos deuses! Que raios de laço são esse que não se desfaz? Só há uma explicação possível: é laço de menina, laço de moça e laço de mulher… é laço de gente que não vive só pelos sentidos do corpo… é laço de desenlace (de morte); é laço de gente que prefere viver um gozo aleijado, amarrado e sofrido do que provar o fel do amor efêmero.
Como eu disse, é um laço caprichoso e absolutamente típico da mulher! Homens não têm disso… por isso nunca compreenderão “o que deseja uma mulher”.
E assim prossegue o jogo: um meio amor aqui, um meio gozo ali, e uma censura chamada “pedra” à quem espontaneamente se mantém atada uma borboleta azul encarnada.
Será possível que algum dia surgiria alguém que fosse suficientemente irresistível a ponto de desatar o laço que prende a borboleta à pedra? E se houvesse esse alguém, o que aconteceria?

Carregando Suas Pedras





Um fervoroso devoto estava atravessando uma fase muito penosa, com graves problemas de saúde em família e sérias dificuldades financeiras. Por isso orava diariamente pedindo ao Senhor que o livrasse de tamanhas atribulações. Um dia, enquanto fazia suas preces, um anjo lhe apareceu, trazendo-lhe uma mochila e a seguinte mensagem:
– O Senhor se compadeceu da sua situação e manda lhe dizer que é para você colocar nesta mochila o máximo de pedras que conseguir e carregá-la com você, em suas costas, por um ano, sem tirá-la por um instante sequer. Manda também lhe dizer que, se você fizer isso, no final desse tempo, ao abrir a mochila, terá uma grande alegria e uma grande decepção. E desapareceu, deixando o homem bastante confuso e revoltado.
Como pode o Senhor brincar comigo dessa maneira? Eu oro sem cessar, pedindo a Sua ajuda, e Ele me manda carregar pedras?" Já não lhe bastam os tormentos e provações que Estou vivendo? – Pensava o devoto.
Mas, ao contar para sua mulher a estranha ordem que recebera do Senhor, ela lhe disse que talvez fosse prudente seguir as determinações dos Céus, e concluiu dizendo:
– Deus sempre sabe o que faz...
O homem estava decidido a não fazer o que o Senhor lhe ordenara, mas, por via das dúvidas, resolveu cumpri-las em parte, após ouvir a recomendação da sua mulher. Assim, colocou duas pedras, pequenas, dentro da mochila e carregou-a nas costas por longos doze meses. Ao decurso natural dos dias, na manhã da data marcada, e mal se contendo de tanta curiosidade, abriu a mochila conforme as ordens do Senhor e descobriu que as duas pedras que carregara nas costas por um ano tinham se transformado em pepitas de ouro...
Todos os episódios que vivemos na vida, inclusive os piores e mais duros de suportar, são sempre extraordinárias e maravilhosas fontes de crescimento. Temendo a dor, a maioria se recusa a enfrentar desafios, a partir para novas direções, a sair do lugar comum, da mesmice de sempre.

Temendo o peso e o cansaço, a maioria faz tudo para evitar situações novas, embaraçosas, que envolvam qualquer tipo de conflito. Mas aqueles que encaram pra valer as situações que a vida propõe aqueles que resolvem "carregar as pedras", ao invés de evitá-las, negá-las ou esquivar-se delas, esses alcançam a plenitude do viver e transformam, com o tempo, o peso das pedras que transportaram em peso de sabedoria.

Do Amor & Outros Demônios






Tomara poder desempenhar-me, sem hesitações nem ansiedades, deste mandato subjetivo cuja execução por demorada ou imperfeita me tortura e dormir descansadamente, fosse onde fosse, plátano ou cedro que me cobrisse, levando na alma como uma parcela do mundo, entre uma saudade e uma aspiração, a consciência de um dever cumprido.
Mas dia a dia o que vejo em torno meu me aponta novos deveres, novas responsabilidades da minha inteligência para com o meu senso moral. Hora a hora a (...) que escreve as sátiras surge colérica em mim. Hora a hora a expressão me falha. Hora a hora a vontade fraqueja. Hora a hora sinto avançar sobre mim o tempo. Hora a hora me conheço, mãos inúteis e olhar amargurado, levando para a terra fria uma alma que não soube contar, um coração já apodrecido, morto já e na estagnação da aspiração indefinida, inutilizada.
Nem choro. Como chorar? Eu desejaria poder querer (desejar) trabalhar, febrilmente trabalhar para que esta pátria que vós não conheceis fosse grande como o sentimento que eu sinto quando n'ela penso. Nada faço. Nem a mim mesmo ouso dizer: amo a pátria, amo a humanidade. Parece um cinismo supremo. Para comigo mesmo tenho um pudor em dizê-lo. Só aqui lh'o registro sobre papel, acanhadamente ainda assim, para que n'alguma parte fique escrito. Sim, fique aqui escrito que amo a pátria funda, (...) doloridamente. Seja dito assim sucinto, para que fique dito. Nada mais.
Não falemos mais. As coisas que se amam, os sentimentos que se afagam guardam-se com a chave d'aquilo a que chamamos «pudor» no cofre do coração. A eloquência profana-os. A arte, revelando-os, torna-os pequenos e vis. O próprio olhar não os deve revelar. Sabeis decerto que o maior amor não é aquele que a palavra suave puramente exprime. Nem é aquele que o olhar diz, nem aquele que a mão comunica tocando levemente n'outra mão. É aquele que quando dois seres estão juntos, não se olhando nem tocando os envolve como uma nuvem, que lhes (...) Esse amor não se deve dizer nem revelar. Não se pode falar dele.

O Segredo de Clarice Lispector chegando em novas mãos



O Segredo de Clarisse Lispector 😍 . Também chegou por aqui este livro do autor @demincomarcus 😍 Mais uma sinopse das boas Em breve terá resenha por aqui! 😆 A história de Clarice Lispector que ninguém jamais contou. Afinal, por que a autora brasileira era conhecida como A Grande Bruxa da Literatura Brasileira? Que espécie de vínculo Clarice teria estabelecido com a feitiçaria? Por que seu próprio amigo Otto Lara Resende advertia alguns leitores para tomarem cuidado com Clarice, alegando não se tratava apenas de literatura, mas de bruxaria? “O 7 era meu número secreto e cabalístico”. Há 7 notas com as quais podem ser compostas “todas as músicas que existem e que existirão”; e há uma recorrência de “adições teosóficas”, números que podem ser somados para revelar uma quantia mágica, Eu vos afianço que 1978 será o verdadeiro ano cabalístico. Portanto, mandei lustrar os instantes do tempo, rebrilhar as estrelas, lavar a lua com leite, e o sol com ouro líquido. Cada ano que se inicia, começo eu a viver outra vida.” – E, muito embora ela tenha morrido apenas algumas semanas antes de começar o então ano cabalístico, sem dúvida alguma, todos esses hábitos ritualísticos, esclareceram a verdadeira razão pela qual – aceitou com presteza e entusiasmo – o inusitado convite do ocultista colombiano, Bruxo Simón, para participar como palestrante – do 1º Congresso Mundial de Bruxaria organizado por ele.
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