terça-feira, 22 de setembro de 2015

O Bom Combate (Paulo Coelho)




O homem nunca pode parar de sonhar. O sonho é o alimento da alma, como a comida é o alimento do corpo. Muitas vezes, em nossa existência, vemos os nossos sonhos desfeitos e nossos desejos frustrados, mas é preciso continuar sonhando, senão nossa alma morre e Ágape não penetra nela (...).
O Bom Combate é aquele que é travado porque o nosso coração pede. Nas épocas heroicas, no tempo dos cavaleiros andantes, isto era fácil, havia muita terra para conquistar e muita coisa para fazer. Hoje em dia, porém, o mundo mudou muito, e o Bom Combate foi transportado dos campos de atalha para dentro de nós mesmos.
O Bom Combate é aquele que é travado em nome de nossos sonhos.  Quando eles explodem em nós com todo o seu vigor na juventude – nós temos muita coragem par combater. Por causa disto, nos voltamos contra nós e combatemos a nós mesmos, e passamos a ser nosso inimigo. Dizemos que nossos sonhos eram infantis, difíceis de realizar, ou fruto de nosso desconhecimento das realidades da vida. Matamos nossos sonhos porque temos medo de combater o Bom Combate.
1. O primeiro sintoma de que estamos matando nossos sonhos é a falta de tempo. As pessoas mais ocupadas que conheci na minha vida sempre tinham tempo para tudo. As que nada faziam estavam sempre cansadas, não davam conta do pouco trabalho que precisavam realizar, e se queixavam constantemente que o dia era curto demais. Na verdade, elas tinham medo de combater o Bom Combate.
2. O segundo sintoma da morte de nossos sonhos são nossas certezas. Porque não queremos olhar a vida como uma grande aventura a ser vivida, passamos a nos julgar sábios, justos e corretos no pouco que pedimos da existência. Olhamos para além das muralhas do nosso dia-a-dia e ouvimos o ruído de lanças que se quebram, o cheiro de suor e de pólvora, as grandes quedas e os olhares sedentos de conquista dos guerreiros. Mas nunca percebemos a alegria, a imensa Alegria que está no coração de quem está lutando, porque para estes não importa nem a vitória, nem a derrota, importa apenas combater o Bom Combate.
3. Finalmente, o terceiro sintoma da morte de nossos sonhos é a Paz. A vida passa a ser uma tarde de domingo, sem nos pedir grandes coisas, e sem exigir mais do que queremos dar. Achamos então que estamos maduros, deixamos de lado as fantasias da infância, e conseguimos nossa realização pessoal e profissional. Ficamos surpresos quando alguém de nossa idade diz que quer ainda isto ou aquilo da vida. Mas na verdade, no íntimo de nosso coração, sabemos que o que aconteceu foi que renunciamos à luta por nossos sonhos. A combater o Bom Combate.
“(...) Quando renunciamos aos nossos sonhos e encontramos a paz – temos um pequeno período de tranquilidade. Mas os sonhos mortos começam a apodrecer dentro de nós, e infestar todo o ambiente em que vivemos. Começamos a nos tornar cruéis com aqueles que nos cercam, e finalmente passamos a dirigir essa crueldade contra nós mesmos. Surgem as doenças e as psicoses. O que queríamos evitar no combate – a decepção e a derrota – passa a ser o único legado de nossa covardia. E um belo dia, os sonhos mortos e apodrecidos tornam o ar difícil de respirar e passamos a desejar a morte, a morte que nos livrasse de nossas certezas, de nossas ocupações, e daquela terrível paz das tardes de domingo. (...) A única maneira de salvamos nossos sonhos, é sendo generosos conosco mesmos. Qualquer tentativa de autopunição – por mais sutil que seja, deve ser tratada com rigor.”
(Adaptação de um trecho do livro Diário de um Mago – Paulo Coelho).

terça-feira, 14 de julho de 2015

A Liberdade do Ser




Esta é uma forma de partilhar questões que penso que existem dentro de todos nós, mas que por vezes nos esquecemos de pensar nelas a fundo, de refletir e até de responder. O mais engraçado é que essas respostas podem muitas vezes ajudar-nos, a saber, quem realmente somos, o que desejamos para nós e para onde queremos ir.
O que há de errados em nós? Perguntamos tantas vezes… Temos inteligência e sabedoria humana, mas usamo-la da melhor forma? Não! Muitas vezes canalizamos essas capacidades na direção errada. Como resultado, deparamo-nos com ações que vão contra a natureza humana básica – o amor.
É natural que todos nós experienciemos sentimentos como o ódio, a revolta, bem como o amor e a compaixão, todos eles fazem parte da mente humana. Ainda assim, acredito com todo o coração que a nossa força dominante é sem dúvida o amor. E a este sentimento, a esta nossa magnífica capacidade eu dou o nome de espiritualidade. Não num sentido religioso, aliás, não tenho religião, acredito somente na liberdade e no livre arbítrio.
Se a religião unir a raça humana, se colocar algo de bom nos nossos corações, se trouxer sinceridade, então sim encontramos algo positivo. O problema é que a religião tem dividido o homem, têm criado guerras, desavenças, obstáculos. Se todos percebessem que no fundo tudo vai dar ao mesmo, que o que se defende é amor, compaixão, fé. Se todos compreendessem que somos um só, que a vida é aquilo que fazemos dela, teríamos mais respeito pelo próximo e seríamos acima de tudo tão mais livres, tão mais felizes, tão mais realizados!
Se olharmos atentamente para dentro, bem dentro de nós, descobrimos que o afeto é a chave para o bom coração. Todos nós, sem exceção, temos a semente do bom coração, todos nós somos capazes de plantar no planeta a beleza da paz e pôr fim à guerra. SE É FÁCIL? NÃO! Primeiro é preciso ter coragem para assumir que temos responsabilidade em tudo o que nos acontece, na destruição da terra por exemplo. Primeiro é preciso ter coragem para descobrir quem somos, para arriscar e viver consoante aquilo que acreditamos e não segundo o que a sociedade diz que é correto. O pior é que estamos diariamente mais preocupados com o que os outros pensam, do que com aquilo que sentimos e desejamos de verdade.
Queremos ser felizes? Então é importante perceber que "a preocupação olha em volta, a saudade olha para trás, a descrença olha para baixo, a fé olha para cima, a esperança olha para frente e... O EU SOU vive o AGORA!”.


A Meditação do Cigarro (Osho)


"Um homem veio a mim. Ele sofria do vício de fumar há trinta anos; ele estava doente e os médicos disseram: “Você nunca ficará bom se não parar de fumar.” Ele era um fumante crônico e não conseguia parar. Mas ele tentou, tentou arduamente e sofreu muito tentando. Conseguia por um ou dois dias, mas então a necessidade de fumar vinha tão forte que simplesmente o vencia. Novamente ele caía no mesmo esquema.
Por causa disso, ele perdeu toda a autoconfiança; sabia que não podia fazer nem essa pequena coisa: parar de fumar. Ele se desvalorizou diante de si mesmo; considerava-se a pessoa mais sem valor do mundo. Não tinha mais respeito por si mesmo. E assim, ele veio a mim.
Ele disse: “O que posso fazer? Como posso parar de fumar?” Eu lhe disse: “Você tem que entender. Agora, fumar não é apenas uma questão de decisão. É algo que já entrou no seu mundo de hábitos; já se enraizou. Trinta anos é um longo tempo. Esse hábito tem raízes no seu corpo, na sua química, espalhou-se em você. Não é mais apenas uma questão de decidir com a cabeça; sua cabeça não pode fazer nada. Ela é impotente; pode começar coisas, mas não pode pará-las facilmente. Uma vez que você começou e praticou por tanto tempo, você é um grande iogue – trinta anos de prática em fumar! Já se tornou automático; você tem que desautomatizar isso.” Ele perguntou: “O que você quer dizer por desautomatizar?”
É nisto que consiste toda a meditação: na desautomatização.
Eu lhe disse: “Faça uma coisa: esqueça tudo sobre parar de fumar. Não há necessidade. Por trinta anos você fumou e viveu; é claro que foi um sofrimento, mas você se acostumou a ele também. E o que importa se você morrer algumas horas antes do que morreria sem fumar? O que você vai fazer aqui? O que você fez? Então, qual a importância em morrer na segunda, na terça ou no domingo, neste ou naquele ano – que importa?”
Ele disse: “Sim, isso é verdade; não importa”.
Então eu disse: “Esqueça tudo sobre parar de fumar; não vamos parar absolutamente. Ou melhor, vamos compreender isso. Assim, da próxima vez, faça do fumar uma meditação”.
Ele disse: “Do fumar uma meditação?” Eu disse: “Sim. Se as pessoas zen podem fazer do beber chá uma meditação, uma cerimônia, por que não com o cigarro? Fumar também pode ser uma bela meditação”.
Ele ficou impressionado e disse: “O que você está dizendo? Meditação? Conte-me – nem posso esperar!”
Então dei a meditação para ele: “Faça uma coisa. Quando pegar o maço de cigarros do seu bolso, pegue-o bem lentamente. Curta, não há pressa. Fique consciente, alerta, atento; pegue lentamente com atenção total. Então, tire um cigarro do maço com toda a atenção, lentamente, não da velha maneira apressada, inconsciente, mecânica. Depois, comece a bater o cigarro no maço, atentamente. Escute o som, como fazem as pessoas zen quando o samovar começa a cantar e o chá começa a ferver… e o aroma… Então cheire o cigarro e sinta sua beleza…”
O homem disse: “O que você está dizendo? A beleza?”
“Sim, ele é belo. O tabaco é tão divino quanto qualquer outra coisa. Cheire-o; é o cheiro de Deus”.
O homem ficou um pouco surpreso: “O que! Você está brincando?”
“Não, não estou brincando. Mesmo quando brinco, não brinco. Sou muito sério.”
Então, ponha o cigarro na boca, com toda a atenção, e acenda-o. Curta cada ato, cada pequeno ato e divida-o em muitos pequenos atos para que você possa tornar-se o mais alerta possível.
Dê a primeira tragada: Deus em forma de fumaça. Os hindus dizem, “Annam Brahm” – “Comida é Deus”. Por que não a fumaça? Tudo é Deus. Encha profundamente seus pulmões – isto é pranayam. Estou lhe dando uma nova ioga para um novo tempo! Depois, solte a fumaça, relaxe; dê outra tragada – e faça tudo bem devagar…
Se você puder fazer isso. ficará surpreso; logo verá toda a estupidez disso. Não porque os outros estão lhe dizendo que é estúpido, que é ruim. Você o verá; e não apenas intelectualmente, mas a partir de seu ser total; será uma visão da sua totalidade. E então, um dia, se o vício desaparecer, desapareceu; se continuar, continuou. Você não tem que se preocupar com isso.”
Depois de três meses, o homem voltou e disse: “Ele desapareceu!”
“Agora, eu disse, tente isso com outras coisas também”.
Este é o segredo, o segredo: desautomatizar. Andando, ande devagar, atentamente. Olhando, olhe cuidadosamente e você verá que as árvores estão mais verdes do que nunca e as rosas estão mais rosas do que nunca. Escute! Alguém está falando, sussurrando: ouça atentamente. Quando você falar, fale atentamente. Deixe que toda a sua atividade de despertar torne-se desautomatizada."

segunda-feira, 1 de junho de 2015

O Poder da Comunicação




VIVEMOS na Pós-modernidade com todas as facilidades da era digital. A comunicação está a nosso dispor. Mas, que comunicação? Ouvimos dizer que o problema da maioria das mulheres é porque elas falam demais. Fica a pergunta: Falar demais é se comunicar demais? Responda de acordo com a sua realidade de sentimento e não de expressão. Falar nem sempre significa se comunicar e conseguir expressar o que está no coração.
A comunicação é extensa e possui uma força inimaginável. Podemos alcançar quem está do outro lado do mundo só pela força da comunicação. E dentro desse universo poderoso, as formas de se comunicar são variadas, extensivas, rasas, profundas, marcantes, decepcionantes, construtivas, destrutivas, simples, complexas, prolixas, exatas, qualitativas, quantitativas, producentes, comunicáveis, incomunicáveis, claras, confusas, técnicas, abstratas, convincentes, sedutoras... Certo é que cada forma de comunicação tem um significado que pode ou não alcançar o seu objetivo: COMUNICAR.
 – Algumas Formas de Comunicação –
Comunicamo-nos mais claramente através das palavras. Mas não somos limitados às palavras. Palavras podem não dizer exatamente o que sentimos e expressar aquilo que não é real. Portanto, a comunicação vai além, muito além das palavras. Podemos nos comunicar através de palavras, mas também do olhar, do toque, da postura, de gestos, de sons, de comportamentos, do silêncio, enfim, a comunicação vai muito além do que as palavras podem expressar. Quero abordar algumas formas da comunicação e a força que exercem em nossa vida, lembrando que cada uma tem a sua evidência e traduz uma linguagem, uma forma de expressão.

1. PALAVRAS

“A morte e a vida estão no poder da língua, o que bem a utiliza come do seu fruto.” (Provérbios 18:21)

Palavras contêm vida ou morte, coragem ou medo, vitória ou derrota, alegria ou tristeza. Palavras possuem um poder muito forte sobre a vida do outro, portanto podem nos afastar ou nos aproximar das pessoas, gerar amizades ou destruí-las. É como diz o texto de Provérbios 18:21, quem bem as utiliza come do seu fruto.
Deus formou o mundo pela Palavra (Gênesis 1). Em João 1, Jesus é o Verbo, a Palavra. De acordo com a Palavra, a Bíblia Sagrada, o poder da palavra construiu tudo, mundo, animais, relvas, ervas, sementes, e o homem e a mulher, dotados da palavra, do poder de se comunicar entre si, com Deus e com todos os animais. É interessante saber que as nossas palavras podem fazer nascer um mundo do caos, como podem fazer do mundo um caos, já que quando nos comunicamos expressamos o céu ou o inferno, a vida que temos ou a vida que não conseguimos alcançar.
Nós dependemos de Deus e das palavras. Na comunicação moderna, elas estão em toda a parte. Livros, revistas, sites, blogs, twitter, facebook, jornais, cartazes, busdor, outdoor... Variando de forma e conteúdo, o objetivo é sempre o mesmo: comunicar, informar, gerar sensações, despertar desejos, mudar hábitos, massificar estilos, conceituar o que há de novo no mercado, apresentar produtos e serviços... E ao mesmo tempo que é fragmentária é complicada, como bem aprendemos no dia a dia.
Contudo, a importância das palavras e o que elas podem produzir em nós geram efeitos eternos. A Bíblia diz que se com a boca confessarmos que Jesus é o Cristo, alcançamos a vida eterna. Uma eternidade através de uma palavra, a palavra de confissão. O texto bíblico, deixa claro que as nossas palavras quando expressam uma comunicação certa, aproximam-nos de Deus e das pessoas. Vale lembrar: em tudo o que fazemos, na profissão que exercemos, na família e por onde formos, necessitamos, essencialmente, das palavras para termos uma comunicação de êxito.
Talvez você pense que para ter uma comunicação de êxito é preciso saber falar ‘difícil’, escrever bem (o que para você pode ser complicado). Mas na verdade, a conquista da comunicação está em compreender como Deus quer que utilizemos as palavras. Assim o fácil se torna claro e o difícil se torna possível. Sabendo que: “...Pelas tuas palavras serás justificado, e pelas tuas palavras serás condenado.” (Mateus 12:37)

2. OLHAR

“A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz.” (Mateus 6:22).

O olhar é, assim como as palavras, uma forma muito expressiva da comunicação. A Bíblia atribui aos nossos olhos uma grande responsabilidade: a luz que temos depende de onde colocamos nosso olhar. E, com certeza, em algum momento da vida, você foi marcada por uma imagem, registrada pelo seu olhar, ao se deparar com algo, que, imediatamente, não passou despercebido aos seus olhos. E, de forma rápida e intensa, um impacto foi causado em suas emoções, despertando sentimentos que você guarda até hoje.
Um olhar pode comunicar mais fortemente aquilo que as palavras não conseguem expressar ou que o outro não está preparado para ouvir, além de expressar atenção ao outro. Foi assim que Jesus procedeu com Pedro, quando este O negava diante dos homens. “Mas Pedro respondeu: Homem, não sei o que dizes. E imediatamente, estando ele ainda a falar, o galo cantou. Virando-se o Senhor, olhou para Pedro; e Pedro lembrou-se da palavra do Senhor, como lhe havia dito: Hoje, antes que o galo cante, três vezes me negarás. E, havendo saído, chorou amargamente.” (Lucas 22:60-62). Aquele olhar, naquele momento, levou Pedro ao arrependimento genuíno e a produzir, posteriormente, frutos no Reino, como registra o livro de Atos.
O que olhamos penetra a nossa mente, atrai a nossa atenção e pode nos marcar mais fortemente do que palavras, transmitindo a mensagem que precisamos ouvir para nos levar aonde Deus quer que estejamos. Jesus, naquele momento de dor, mostrou a Pedro, que se importava com ele, apesar de sua atitude errada. Eu amo ler: “Os olhos de Deus estão em todo lugar...” (Provérbios 15:3). Eu sei que Ele nos olha para que tenhamos cuidado de olhar corretamente na Sua direção e registrar imagens que nos marquem positivamente e nos curem tão profundamente, fazendo do fracasso do passado uma história com a qual podemos aprender para não repetir os mesmos erros.

3. TOQUE

“E traziam-lhe também meninos, para que lhes tocasse...” (Lucas 18:15).

O toque é uma forma de comunicação, expressa amor, carinho, respeito, como também pode expressar desrespeito, desafeto... Os hebreus conheciam o poder que o toque tinha, e levavam seus filhos para serem tocados por Jesus, através da imposição de mãos. E quando os discípulos quiseram impedir, o Senhor os repreendeu.
Ainda hoje é assim. Necessitamos ser tocados como expressão de amor. Há momentos que não temos palavras e não conseguimos sequer olhar o outro, mas um toque pode expressar exatamente a comunicação que queremos transmitir. Reconhecemos as pessoas com quem temos intimidade pela forma como nos tocam e compreendemos qual a mensagem que querem transmitir naquele momento específico.
O toque é uma fonte inesgotável de expressar o que sentimos. Podemos ser renovados a partir de um carinho que recebemos, um aperto de mão, um afago, um abraço, um beijo. Um toque penetra a alma, muda nossas atitudes, alegra o nosso dia, reflete sentimentos e estabelece um elo que nos faz compreender o que o outro quer dizer, a partir do significado que ele representa. O toque informa o que as palavras não dizem e o olhar não conseguiu expressar, pois é uma demonstração de carinho que guardamos para sempre bem no fundo do coração.

4. POSTURA

“Não te mandei eu, sê forte e corajoso.” (Josué 1:9).

A nossa postura marca a posição que temos diante de algo ou de alguém, reflete as nossas atitudes, expressa o serviço que realizamos. Portanto, a forma como nos posicionamos comunica quem somos, o que pensamos, como agimos e o que sentimos. Na Bíblia, somos convocados a termos inúmeras posturas de homens e mulheres de Deus, mas quero ressaltar a de Josué 1:9, forte e corajoso.
Na prática, entretanto, parece que em momentos cruciais nem sempre conseguimos exercer a postura cristã correta, aquela que Jesus conquistou na Cruz por nós e para nós. E olha que não é por falta de ensino, mas por falta de praticar o que é ensinado. Entre o discurso e a prática, há um longo caminho que precisa ser percorrido. E só trilha esse caminho, os que decidem ter a postura de um verdadeiro cristão.
A postura que temos diante do mundo revela quem Cristo é em nós e o quanto temos da vida dEle. Não podemos convencer de que Jesus é o Caminho, a Verdade e a Vida, se nossa postura comunica que estamos paralisados, vivendo mentiras e hipocrisias e morrendo nas emoções e nos sentimentos. Postura é fundamental em tudo e comunica tanto quanto as palavras. Não podemos afirmar que cumprimos Josué 1:9 se nossa postura de medo revela que não cremos em Deus como deveríamos. Nossa postura pode, diante das situações e adversidades da vida, falar muito mais e até mais alto do que as nossas palavras, porque a postura revela nosso posicionamento em Cristo Jesus.

5. GESTOS

“E ela disse a seu marido: Eis que tenho observado que este que sempre passa por nós é um santo homem de Deus. Façamos-lhe, pois, um pequeno quarto junto ao muro, e ali lhe ponhamos uma cama, uma mesa, uma cadeira e um candeeiro; e há de ser que, vindo ele a nós, para ali se recolherá.” (II Reis 4:9,10).

Gestos comunicam e expressam sentimentos, assim como palavras, toques, olhar, postura. Um gesto carinhoso na direção de quem amamos ou mesmo de quem não conhecemos pode alcançar uma vida no mais profundo do seu ser. Isso é tão verdade, que o gesto de Jesus ter decidido morrer na Cruz pela humanidade, resultou em vida a mim e a você.
Engana-se quem pensa que no corre-corre da vida, no avanço do século, na modernidade oferecida pela tecnologia, os gestos carinhosos foram perdidos e já não exercem mais o mesmo poder na comunicação. Nada pode roubar aquilo que é dom de Deus em nós. Na verdade, podemos usar a tecnologia a nossa favor, podemos praticar gestos de amor, sejam verbais, através de um twitter por exemplo ou visuais, deixando uma foto registrada no facebook, uma ilustração que com certeza expressará o que aquele momento representou para você.
Gestos de amor podem informar ao outro o que sentimos e ampliar nosso relacionamento, demonstrando que a consideração é essencial no processo da comunicação e que alcança o tempo, reafirmando, sempre que lembrado, a importância que demos àquele momento que ficou para sempre. O gesto da mulher em se preocupar com o profeta e pedir ao marido para construir um quarto, resultou em muitos benefícios para si e para toda a família. Tenha gestos de amor para com as pessoas, independente de. Você nunca saberá o que Deus pode trazer como recompensas sobre sua vida por conta de seus gestos de amor.

6. SONS

“Da mesma sorte, se as coisas inanimadas, que fazem som, seja flauta, seja cítara, não formarem seus sons distintos, como se conhecerá o que se toca com a flauta ou com a cítara?” (I Coríntios 14:7)

Sons tem expressão tanto quanto as palavras. Observe que as músicas, através da melodia e não apenas das palavras nos levam a sensações de paz, de amor, de refrigérios, assim como algumas também causam inquietude, impaciência. A Bíblia diz que até as coisas inanimadas produzem sons, quanto mais nós, seres humanos.
Na verdade, nossas palavras produzem sons, de acordo com a tonalidade de nossa voz. E esses sons, mais que as palavras podem ou não expressar o que queremos comunicar. Um “Eu te amo”, pronunciando quase em tom de sussurro, tem um poder de convencimento sobrenatural e preenche os vazios da alma que podem ter sido produzidos pelos dissabores no amor. Um “Eu te amo!”, forçado porque o outro é inseguro, são as mesmas palavras, mas o som é diferente, podendo ser desconfortante.
Um assovio, por exemplo, pode ser um elogio ou um chamado. Lembro-me que quando criança, pelo assovio do meu pai sabíamos do que se tratava. Quão carinhoso era o assovio do meu pai. Até a minha mãe aprendeu a pronunciar o mesmo som e a nos chamar dessa forma, sem alaridos. Sons comunicam o que queremos expressar, mas o outro só entenderá se estiver afinado a você. Então, na importância da comunicação, o que vale é se fazer compreender e corresponder o poder de compreensão do outro, se utilizando das ferramentas que Deus já nos deu.

7. COMPORTAMENTOS

“... A conduta sábia é o prazer do homem entendido.”

Nosso comportamento fala através de nós, e pasmem, pode falar mais do que mil palavras em apenas um minuto. Ter uma conduta sábia revela maturidade, sabedoria, e representa que alcançamos um padrão de excelência que está muito além dos bens materiais adquiridos.
No tempo em que esteve na Terra, Jesus advertiu os discípulo e o povo a terem uma conduta irrepreensível, um comportamento condigno a filhos do Reino. Afinal, o comportamento que comunicamos revela de onde somos, qual a educação que recebemos, nossos valores... Provérbios 20:11, diz que até a criança se dá a conhecer por seus comportamentos.
Quando nossas palavras dizem algo e nosso comportamento revela o contrário do que falamos, com certeza, há falhas em nossa comunicação e não estamos conseguindo viver o que o Senhor tem para nós. Recebemos de Deus o comando de viver uma vida com um comportamento que expresse o Reino que representamos aqui na Terra. Que possamos viver um comportamento que produzam ações das quais não tenhamos de que nos envergonhar, apresentando-nos diante de Deus em ações de graças, sabendo que é Ele quem nos fortalece e que nos ajuda a ser, aqui na Terra, a expressão da Sua glória.

8. SILÊNCIO

“Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado ao matadouro, e como ovelha muda perante os seus tosquiadores, assim ele não abriu a sua boca.” (Isaías 53:7)

Há momentos em que as palavras não resolvem, o olhar não vai alcançar a dimensão do que se precisa, o toque é dispensado, as posturas não são compreendidas, os gestos não são aceitos, sons se tornam desnecessários, demonstrar determinados comportamentos não mudarão a situação, enfim, só nos resta o silêncio para comunicar o que queremos que outro entenda.
O silêncio é uma forma de expressar comunicação muito forte. Ele substituiu longas explicações, enriquece a percepção da mensagem, fala pelo que pode ser lido no ar, grita sem emitir som nenhum e potencializa um momento para sempre. Foi assim que Jesus nos ensino em Seu momento de silêncio, registrado em Isaías 53:7.
Muitas vezes não é fácil saber silenciar quando tudo parece gritar ao nosso redor. Mas o silêncio é uma sábia atitude para os momentos em que nada mais resolve. Ele comunica o que queremos e causa um impacto fenomenal quando as palavras já foram esgotadas e tudo o mais falhou.
O silêncio pode, até mesmo, aumentar nossa potencialidade de comunicação, pois calar é um exercício que não pode ser praticado por quem não aprendeu a viver todas as fases da comunicação e creia, pode incomodar e surtir maior efeito, do que qualquer outra forma, quando empregado na hora certa. Todos nós precisamos saber nos comunicar. Para nós, mulheres, a comunicação deve ser praticada de uma forma que nossas palavras, sejam faladas, olhadas, tocadas, gesticuladas, comportamentalizadas ou silenciadas, contanto que consigamos expressar não apenas o que queremos, mas também o que o outro precisa ouvir, saber e aprender.
A comunicação verdadeira é aquela que produz aprendizado, completando o outro através da mensagem que recebe. É sempre uma vida de mão dupla, com perguntas e respostas, com companheirismo e contradições, que quando somadas nos levam a uma dimensão maior.

(Texto: Francieme Costa)


quinta-feira, 21 de maio de 2015

O Poder do Entusiasmo





A palavra ENTUSIASMO vem do grego e significa ter um deus dentro de si. Os gregos eram politeístas, isto é, acreditavam em vários deuses.  A pessoa entusiasmada era aquela que, possuída por um dos deuses e por causa disso, poderia transformar a natureza e fazer as coisas acontecerem. Assim, quem fosse entusiasmado por Ceres (deusa da agricultura) seria capaz de fazer acontecer a melhor colheita, e assim por diante.
Segundo os gregos, só pessoas entusiasmadas eram capazes de vencer os desafios do quotidiano. Era preciso, portanto, entusiasmar-se.
Assim, o entusiasmo é diferente de otimismo. Otimismo significa eu acreditar que uma coisa vai dar certo. Talvez até torcer para que ela dê certo. Muita gente confunde otimismo com entusiasmo. No mundo de hoje, na empresa de hoje, é preciso ser entusiasmado. A pessoa entusiasmada é aquela que acredita na sua capacidade de transformar as coisas, de fazer dar certo. Entusiasmada é a pessoa que acredita em si. Acredita nos  outros.   Acredita na força que as pessoas têm de transformar o mundo e a própria realidade.
E só há uma maneira de ser entusiasmado. É agir entusiasticamente!   Se formos esperar ter as condições ideais primeiro, para depois nos entusiasmarmos, jamais nos entusiasmaremos com coisa alguma, pois sempre teremos razões para não nos entusiasmarmos.
Não é o sucesso que traz o entusiasmo, é o entusiasmo que traz o sucesso. Conheço pessoas que ficam esperando as condições melhorarem, a vida melhorar, o sucesso chegar, para depois se entusiasmarem. A verdade é que jamais se entusiasmarão com coisa alguma. O entusiasmo é que traz a nova visão da vida.
É preciso acreditar em você. Acreditar na sua capacidade de vencer, de construir o sucesso, de transformar a realidade. Deixe de lado todo o negativismo, o ceticismo, e abandone a descrença. Seja entusiasmado com a sua vida, e principalmente seja entusiasmado com você.
Fonte: Commit, in Canudos motivacionais - Prof. Luiz Marins.

domingo, 17 de maio de 2015

Os Dez Mandamentos de Osho





Em 1970 perguntaram a Osho pelos seus dez mandamentos. Esta foi sua resposta:

Você pergunta pelos meus dez mandamentos. Isso é muito difícil, porque eu sou contra qualquer tipo de mandamento. Todavia, só pela brincadeira, eu estabeleço o que se segue:

1 - Não obedeça a ordens, exceto àquelas que venham de dentro.
2 - O único Deus é a própria vida.
3 - A verdade está dentro, não a procure em nenhum outro lugar.
4 - O amor é a oração.
5 - O vazio é a porta para a verdade, é o meio, o fim e a realização.
6 - A vida é aqui e agora.
7 - Viva completamente acordado.
8 - Não nade, flutue.
9 - Morra a cada momento para que você possa se renovar a cada momento.
10 - Pare de buscar. O que é, é: pare e veja.

(Osho – A Cup of Tea, 123)

Coragem: o Rio & o Oceano




A palavra coragem é muito interessante. Ela vem da raiz latina cor, que significa "coração". Portanto, ser corajoso significa viver com o coração. E os fracos, somente os fracos, vivem com a cabeça; receosos, eles criam em torno deles uma segurança baseada na lógica.
Com medo, fecham todas as janelas e portas – com teologia, conceitos, palavras, teorias – e do lado de dentro dessas portas e janelas, eles se escondem. O caminho do coração é o caminho da coragem. É viver na insegurança, é viver no amor e confiar, é enfrentar o desconhecido. É deixar o passado para trás e deixar o futuro ser.
Coragem é seguir trilhas perigosas. A vida é perigosa. E só os covardes podem evitar o perigo – mas aí já estão mortos. A pessoa que está viva, realmente viva, sempre enfrentará o desconhecido. O perigo está presente, mas ela assumirá o risco. O coração está sempre pronto para enfrentar riscos; o coração é um jogador. A cabeça é um homem de negócios. Ela sempre calcula – ela é astuta. O coração nunca calcula nada.
Diz-se que, mesmo antes de um rio cair no oceano ele treme de medo. Olha para trás, para toda a jornada, os cumes, as montanhas, o longo caminho sinuoso através das florestas, através dos povoados, e vê à sua frente um oceano tão vasto que entrar nele nada mais é do que desaparecer para sempre. Mas não há outra maneira. O rio não pode voltar. Ninguém pode voltar. Voltar é impossível na existência. Você pode apenas ir em frente.
O rio precisa se arriscar e entrar no oceano. E somente quando ele entra no oceano é que o medo desaparece. Porque apenas então o rio saberá que não se trata de desaparecer no oceano, mas tornar-se oceano. Por um lado é desaparecimento e por outro lado é renascimento.
E assim somos nós. Só podemos ir em frente e arriscar se tivermos coragem.
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segunda-feira, 11 de maio de 2015

Viver é correr riscos





Na vida, temos que tomar muitas decisões. Algumas fáceis, outras difíceis. Porém, os maiores erros que cometemos na vida, não são decorrentes das decisões erradas que tomamos. A maior parte dos nossos erros são frutos de nossos medos, e das nossas indecisões. No entanto, temos que viver diariamente com a consequência das nossas decisões. Afinal – por mais simples que pareça – tudo aquilo que fazemos sempre terá algo de arriscado.
Rir é correr o risco de parecer um tolo.
Chorar é correr o risco de parecer sentimental.
Abrir-se para alguém é arriscar envolvimento.
Expor os sentimentos é arriscar a expor-se a si mesmo.
Expor suas ideias e sonhos é arriscar-se a perdê-los.
Amar é correr o risco de não ser amado.
Viver é correr o risco de morrer.
Ter esperanças é correr o risco de se decepcionar.
Tentar é correr o risco de falhar.
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Os riscos precisam ser enfrentados, porque o maior fracasso da vida é não arriscar nada. A pessoa que não corre riscos na vida, pode até evitar alguns sofrimentos, esquivar-se das dores, e driblar as frustrações. Mas, não aprende, não sente, não muda, não cresce, e não vive. Presa à sua própria servidão, sempre será uma escrava temendo a liberdade. Apenas, aqueles que arriscam poderão, verdadeiramente, serem livres.
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quinta-feira, 7 de maio de 2015

Perdoar tem algo de morrer




QUANDO nossas mentes estão cheias de raiva e de ódio por outras pessoas, na verdade, nós somos os únicos que estamos realmente sofrendo, aprisionados nesse estado mente. Mas não é muito fácil acessar o lugar dentro de nós que é capaz de perdoar, que é capaz de amar. Sob alguns aspectos, ser capaz de perdoar, de abrir mão, é uma espécie de morte. É a capacidade de dizer: “Eu não sou mais aquela pessoa, e você não é mais aquela pessoa.”.
O perdão nos permite recuperar uma parte de nós mesmos que havia ficado atravancado em um evento passado irregressível. Pode ser que alguma parte da nossa identidade precise morrer nesse abrir mão, para que possamos recuperar a energia presa ao passado. Todos esses ensinamentos estão disponíveis para nós, mas apenas se pudermos estar conscientes daquilo que estamos sentindo, do modo mais profundo possível, sem que nada seja ocultado da nossa consciência.
Então, podemos analisar:
Que luta é essa? Por que estamos lutando? – É importante entender que coisa alguma pode nos faz sentir bem ou mal. Nada está isolado neste mundo condicionado. Nós vivemos em uma realidade interdependente, onde temos a situação do momento presente e também tudo o que nós estamos trazendo conosco. (Sharon Salzberg – Loving Kindness).

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quinta-feira, 9 de abril de 2015

Deixe Acontecer (Osho)




AS COISAS acontecem quando você não as espera, as coisas acontecem quando você não as força, as coisas acontecem quando você não está ansiando por elas. Mas isso é uma consequência, não um resultado. E fique claramente consciente da diferença entre “consequência” e “resultado”. Um resultado é conscientemente desejado; uma consequência é um subproduto. Por exemplo: se eu digo a você que se você brincar, a felicidade será a consequência, você vai tentar por um resultado. Você vai e brinca e você fica esperando pelo resultado da felicidade. Mas eu lhe disse que ela será a consequência, não o resultado.
A consequência significa que se você está realmente na brincadeira, a felicidade acontecerá. Se você constantemente pensa na felicidade, então, ela tem de ser um resultado; ela nunca acontecerá. Um resultado vem de um esforço consciente; uma consequência é apenas um subproduto. Se você estiver brincando intensamente, você estará feliz. Mas a própria expectativa, o anseio consciente pela felicidade, não lhe permitirá brincar intensamente. A ânsia pelo resultado se tornará a barreira e você não será feliz.
A felicidade não é um resultado, é uma consequência. Se eu lhe digo que se você amar, você será feliz, a felicidade será uma consequência, não um resultado. Se você pensa que, porque você quer ser feliz, você deve amar, nada resultará disso. A coisa toda será falsificada, porque a pessoa não pode amar por algum resultado. O amor acontece! Não há motivação por detrás dele. Se há motivação, não é amor. Pode ser qualquer outra coisa. Se eu estou motivado e penso que, porque desejo a felicidade, vou amá-lo, esse amor será falso. E como ele será falso, a felicidade não resultará dele. Ela não virá; é impossível. Mas se eu o amo sem qualquer motivação, a felicidade segue como uma sombra.
A aceitação será seguida por transformação, mas não faça da aceitação uma técnica para a transformação. Ela não é. Não anseie por transformação – somente então a transformação acontece. Se você a deseja, seu próprio desejo é o obstáculo.
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segunda-feira, 6 de abril de 2015

Por que ler Paulo Coelho?





Não precisa procurar muito pela internet para encontrarmos as mais variadas críticas ao prodigioso escritor Paulo Coelho. Mas, será que o autor mais lido no Brasil, um dos 10 escritores vivos mais lidos no mundo, com mais de 70 prêmios, traduzido em 76 línguas e lido em 160 países é mesmo um grande apedeuta como asseveram alguns desconhecidos eruditos rancorosos?
Logo quando terminei meu primeiro livro, embevecido pelas letras e com intento de escrever ficção, resolvi – estupidamente desnorteado – estudar mais literatura. Enquanto os “pseudos-letrados” Kafkanianos e Flaubertianos afirmavam que Paulo Coelho era apenas um néscio charlatão, eu forjava ser um elitista que nunca serei e lia Madame Bovaryo Processo e a Metamorfose. Contudo, eu queria mesmo era que eles me deixassem ler o mago.
E assim, ao passo em que alguns promitentes escritores (que nunca foram senão promessas) emprestavam-me Dante, Shakespeare, Dostoyevsky, Balzac e Cervantes, eu começava a questionar minha cegueira “auto-alienante”: como seria possível dos 100 títulos mais vendidos no Brasil na década de 90, 48 pertencerem aos autores nacionais sendo 20 deles apenas do burro mago?
Depois, quando os menos xenofóbicos disfarçados de eruditos patrióticos diziam que literatura de verdade era Machado de Assis e Guimarães Rosa, eu já não queria mais saber se foi Dom Casmurro ou Memórias Póstumas de Brás Cubas que tornou Machado de Assis o especialista na literatura em primeira pessoa, nem se a primeira “elipse” em Grande Sertão: Veredas, seria ou não gramatical. Eu estava completamente apaixonado por Veronika decide morrer.
De repente, comecei a enxergar adiante dos muros de limitação dos sábios tolos que me rodeavam: quanto mais eu ficava aprisionado as regras, normas, estilos e técnicas literárias menos eu conseguia escrever. Sabia o que era quebra de paralelismo semântico, Eufemismo, Onomatopeia, Prosopopeia, Perífrase, Epístrofe, Hipérbato, Pleonasmo De Reforço, Estilístico Ou Semântico etc. Enfim! Quase todas essas besteiras que os idiotas versados acham que são suficientes para ser genial.
No entanto, foi quando uma docente posada disse com jeito de troça que as obras de Paulo Coelho eram escritas para jovens carentes depressivos que acreditam em duendes e pensam em suicídio, que eu retruquei na mesma hora: NÃO QUERO MAIS FAZER LITERATURA, QUERO FAZER PAULO COELHO! Pois diferentemente de Virgínia Woolf, Paulo Coelho não escreve só com os dedos, nem com a pessoa inteira; ele escreve com a alma sem subserviência gramatical!


Mas, sabem o que seria pior do que 1 (UM) fracassado autor iracundo escrevendo um livro enredado apenas para externar sua incapacidade contida? 2 (DOIS) autores frustrados com esse mesmo propósito. O estafeta sem recado, DIOGO MAINARDI sem desfrutar da verve que nutri os grandes autores, escreveu o monotemático livro, LULA É MINHA ANTA (sua Magnum Opus); reunindo suas crônicas enfadonhas e repetitivas sobre o homem que ele queria ser. E seguindo o mesmo caminho irregressível da mediocridade, o ilustríssimo desconhecido, Janilto Andrade escreveu o impopular Best-Seller POR QUE NÃO LER PAULO COELHO; onde ele define o mago como um excitante vulgar procurando qualificar-se como arte sofisticada. Inobstante como vociferou John Steinbeck
“De todos os animais da criação, o homem é o único que bebe sem ter sede, come sem ter fome e fala sem ter nada que dizer”.
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