terça-feira, 14 de julho de 2015

A Liberdade do Ser




Esta é uma forma de partilhar questões que penso que existem dentro de todos nós, mas que por vezes nos esquecemos de pensar nelas a fundo, de refletir e até de responder. O mais engraçado é que essas respostas podem muitas vezes ajudar-nos, a saber, quem realmente somos, o que desejamos para nós e para onde queremos ir.
O que há de errados em nós? Perguntamos tantas vezes… Temos inteligência e sabedoria humana, mas usamo-la da melhor forma? Não! Muitas vezes canalizamos essas capacidades na direção errada. Como resultado, deparamo-nos com ações que vão contra a natureza humana básica – o amor.
É natural que todos nós experienciemos sentimentos como o ódio, a revolta, bem como o amor e a compaixão, todos eles fazem parte da mente humana. Ainda assim, acredito com todo o coração que a nossa força dominante é sem dúvida o amor. E a este sentimento, a esta nossa magnífica capacidade eu dou o nome de espiritualidade. Não num sentido religioso, aliás, não tenho religião, acredito somente na liberdade e no livre arbítrio.
Se a religião unir a raça humana, se colocar algo de bom nos nossos corações, se trouxer sinceridade, então sim encontramos algo positivo. O problema é que a religião tem dividido o homem, têm criado guerras, desavenças, obstáculos. Se todos percebessem que no fundo tudo vai dar ao mesmo, que o que se defende é amor, compaixão, fé. Se todos compreendessem que somos um só, que a vida é aquilo que fazemos dela, teríamos mais respeito pelo próximo e seríamos acima de tudo tão mais livres, tão mais felizes, tão mais realizados!
Se olharmos atentamente para dentro, bem dentro de nós, descobrimos que o afeto é a chave para o bom coração. Todos nós, sem exceção, temos a semente do bom coração, todos nós somos capazes de plantar no planeta a beleza da paz e pôr fim à guerra. SE É FÁCIL? NÃO! Primeiro é preciso ter coragem para assumir que temos responsabilidade em tudo o que nos acontece, na destruição da terra por exemplo. Primeiro é preciso ter coragem para descobrir quem somos, para arriscar e viver consoante aquilo que acreditamos e não segundo o que a sociedade diz que é correto. O pior é que estamos diariamente mais preocupados com o que os outros pensam, do que com aquilo que sentimos e desejamos de verdade.
Queremos ser felizes? Então é importante perceber que "a preocupação olha em volta, a saudade olha para trás, a descrença olha para baixo, a fé olha para cima, a esperança olha para frente e... O EU SOU vive o AGORA!”.


A Meditação do Cigarro (Osho)


"Um homem veio a mim. Ele sofria do vício de fumar há trinta anos; ele estava doente e os médicos disseram: “Você nunca ficará bom se não parar de fumar.” Ele era um fumante crônico e não conseguia parar. Mas ele tentou, tentou arduamente e sofreu muito tentando. Conseguia por um ou dois dias, mas então a necessidade de fumar vinha tão forte que simplesmente o vencia. Novamente ele caía no mesmo esquema.
Por causa disso, ele perdeu toda a autoconfiança; sabia que não podia fazer nem essa pequena coisa: parar de fumar. Ele se desvalorizou diante de si mesmo; considerava-se a pessoa mais sem valor do mundo. Não tinha mais respeito por si mesmo. E assim, ele veio a mim.
Ele disse: “O que posso fazer? Como posso parar de fumar?” Eu lhe disse: “Você tem que entender. Agora, fumar não é apenas uma questão de decisão. É algo que já entrou no seu mundo de hábitos; já se enraizou. Trinta anos é um longo tempo. Esse hábito tem raízes no seu corpo, na sua química, espalhou-se em você. Não é mais apenas uma questão de decidir com a cabeça; sua cabeça não pode fazer nada. Ela é impotente; pode começar coisas, mas não pode pará-las facilmente. Uma vez que você começou e praticou por tanto tempo, você é um grande iogue – trinta anos de prática em fumar! Já se tornou automático; você tem que desautomatizar isso.” Ele perguntou: “O que você quer dizer por desautomatizar?”
É nisto que consiste toda a meditação: na desautomatização.
Eu lhe disse: “Faça uma coisa: esqueça tudo sobre parar de fumar. Não há necessidade. Por trinta anos você fumou e viveu; é claro que foi um sofrimento, mas você se acostumou a ele também. E o que importa se você morrer algumas horas antes do que morreria sem fumar? O que você vai fazer aqui? O que você fez? Então, qual a importância em morrer na segunda, na terça ou no domingo, neste ou naquele ano – que importa?”
Ele disse: “Sim, isso é verdade; não importa”.
Então eu disse: “Esqueça tudo sobre parar de fumar; não vamos parar absolutamente. Ou melhor, vamos compreender isso. Assim, da próxima vez, faça do fumar uma meditação”.
Ele disse: “Do fumar uma meditação?” Eu disse: “Sim. Se as pessoas zen podem fazer do beber chá uma meditação, uma cerimônia, por que não com o cigarro? Fumar também pode ser uma bela meditação”.
Ele ficou impressionado e disse: “O que você está dizendo? Meditação? Conte-me – nem posso esperar!”
Então dei a meditação para ele: “Faça uma coisa. Quando pegar o maço de cigarros do seu bolso, pegue-o bem lentamente. Curta, não há pressa. Fique consciente, alerta, atento; pegue lentamente com atenção total. Então, tire um cigarro do maço com toda a atenção, lentamente, não da velha maneira apressada, inconsciente, mecânica. Depois, comece a bater o cigarro no maço, atentamente. Escute o som, como fazem as pessoas zen quando o samovar começa a cantar e o chá começa a ferver… e o aroma… Então cheire o cigarro e sinta sua beleza…”
O homem disse: “O que você está dizendo? A beleza?”
“Sim, ele é belo. O tabaco é tão divino quanto qualquer outra coisa. Cheire-o; é o cheiro de Deus”.
O homem ficou um pouco surpreso: “O que! Você está brincando?”
“Não, não estou brincando. Mesmo quando brinco, não brinco. Sou muito sério.”
Então, ponha o cigarro na boca, com toda a atenção, e acenda-o. Curta cada ato, cada pequeno ato e divida-o em muitos pequenos atos para que você possa tornar-se o mais alerta possível.
Dê a primeira tragada: Deus em forma de fumaça. Os hindus dizem, “Annam Brahm” – “Comida é Deus”. Por que não a fumaça? Tudo é Deus. Encha profundamente seus pulmões – isto é pranayam. Estou lhe dando uma nova ioga para um novo tempo! Depois, solte a fumaça, relaxe; dê outra tragada – e faça tudo bem devagar…
Se você puder fazer isso. ficará surpreso; logo verá toda a estupidez disso. Não porque os outros estão lhe dizendo que é estúpido, que é ruim. Você o verá; e não apenas intelectualmente, mas a partir de seu ser total; será uma visão da sua totalidade. E então, um dia, se o vício desaparecer, desapareceu; se continuar, continuou. Você não tem que se preocupar com isso.”
Depois de três meses, o homem voltou e disse: “Ele desapareceu!”
“Agora, eu disse, tente isso com outras coisas também”.
Este é o segredo, o segredo: desautomatizar. Andando, ande devagar, atentamente. Olhando, olhe cuidadosamente e você verá que as árvores estão mais verdes do que nunca e as rosas estão mais rosas do que nunca. Escute! Alguém está falando, sussurrando: ouça atentamente. Quando você falar, fale atentamente. Deixe que toda a sua atividade de despertar torne-se desautomatizada."