domingo, 12 de março de 2017

Os Cegos & O Elefante





Há muitos anos vivia na Índia um rei sábio e muito culto. Já havia lido todos os livros de seu reino. Seus conhecimentos eram numerosos como os grãos de areia do Rio Ganges. Muitos súditos e ministros, para agradar o rei, também se aplicaram aos estudos e às leituras dos velhos livros. Mas, viviam disputando entre si quem era o mais conhecedor, inteligente e sábio. Cada um se arvorava em ser o dono da verdade e menosprezava os demais. O rei se entristecia com essa rivalidade intelectual. Resolveu, então, dar-lhes uma lição. Chamou-os todos para que presenciassem uma cena no palácio.
Bem no centro da grande sala do trono estavam alguns belos elefantes. O rei ordenou que os soldados deixassem entrar um grupo de cegos de nascença. Obedecendo às ordens reais, os soldados conduziram os cegos para os elefantes e, guiando-lhes as mãos, mostraram-lhes os animais. Um dos cegos agarrou a perna de um elefante; o outro segurou a cauda; outro tocou a barriga; outro, as costas; outro apalpou as orelhas; outro, a presa; outro, a tromba.
O rei pediu que cada um examinasse bem, com as mãos, a parte que lhe cabia. Em seguida, mandou-os vir à sua presença e perguntou-lhes:
– Com que se parece um elefante? – E Começou uma discussão acalorada entre os cegos. Aquele que agarrou a perna respondeu:
– O elefante é como uma coluna roliça e pesada.
– Errado! – interferiu o cego que segurou a cauda. – O elefante é tal qual uma vassoura de cabo maleável.
– Absurdo! – gritou aquele que tocou a barriga. – É uma parede curva e tem a pele semelhante a um tambor.
– Vocês não perceberam nada – desdenhou o cego que tocou as costas. – O elefante parece-se com uma mesa abaulada e muito alta.
– Nada disso! – resmungou o que tinha apalpado as orelhas. – É como uma bandeira arredondada e muito grossa que não para de tremular.
– Pois eu não concordo com nenhum de vocês – falou alto o cego que examinara a presa. – Ele é comprido, grosso e pontiagudo, forte e rígido como os chifres.
– Lamento dizer que todos vocês estão errados – disse com prepotência o que tinha segurado a tromba. – O elefante é como a serpente, mas flutua no ar.
O rei se divertiu com as respostas e, virando-se para seus súditos e ministros, disse-lhes:
– Viram? Cada um deles disse a sua verdade. E nenhuma delas responde corretamente a minha pergunta. Mas se juntarmos todas as respostas poderemos conhecer a grande verdade. Assim são vocês: “Cada um tem a sua parcela de verdade. Se souberem ouvir e compreender o outro e se observarem o mundo de diferentes ângulos, chegarão ao conhecimento e à sabedoria”.
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Conto do budismo chinês. Por DOMINGUES, Joelza Ester.

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Os Cegos & O Elefante Em Poesia – John Godfrey Sax
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Seis homens sábios do Industão, Uma terra bem distante, Ouviram atentos, os boatos Sobre um animal gigante E apesar de serem cegos Foram ver o elefante.

O primeiro passou as mãos Sobre a barriga dura e falha, E explicou bem confiante:
“Minha análise não falha: Esse tal de elefante Mais parece uma muralha!”

O segundo tocou as presas E proclamou com confiança:
“Este tal de elefante Não é brincadeira para criança. Tão pontudo e afiado Mais parece uma lança!”

O terceiro chegou à tromba Elogiando a bela obra:
“… Tão comprido, e gelado, Vejam só, ele até dobra! O flexível elefante Mais parece uma cobra!”

O quarto sentiu a pata E teve logo a recompensa Percebendo as semelhanças Anunciou com indiferença:
“Este animal mais se parece Com uma árvore imensa!”

O quinto tocou as orelhas E sugeriu conservador:
“Mas que belo utensílio Nestas tardes de calor, Este tal de elefante, Mais parece um abanador!”

O sexto subiu às costas Despencando na outra borda E pendurado ao rabo, disse:
“Não sei se alguém discorda, Mas para mim esse animal Mais se parece com uma corda!”

E então os sábios homens Discutiram inconformados Cada um com seu discurso Sem ouvir os outros lados Pois estavam certos, em partes. Mas completamente errados!

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