segunda-feira, 10 de agosto de 2009

40 anos da conquista espacial: CELEBRAR O QUÊ?

A PRIMEIRA GUERRA FRIA foi a designação atribuída ao período de conflitos indiretos entre os Estados Unidos e a União Soviética. Denominou-se "FRIA" porque não houve uma guerra direta entre as duas superpotências e persisitiu por cerca de 46 anos: entre o final da Segunda Guerra Mundial em 1945 e a extinção da União Soviética em 1991. A NOVA GUERRA FRIA, entretanto, ocorre de forma mais silenciosa e, embora também não exista um conflito direto entre as 4 nações envolvidas mostra-se com mais requintes de frialdade e com a confissão explícita do egocentrismo humano: enquanto os engenheiros da NASA estão trabalhando para levar o homem à Lua em 2020, enquanto a RÚSSIA investe para conhecer MARTE e enquanto a CHINA corre contra o tempo para mandar o homem de volta à Lua antes dos americanos, 8 crianças morrem A CADA SEGUNDO na ÁFRICA.

E nesse novo duelo de vaidade – enaltecido pela mídia através do eufemismo “CORRIDA ESPACIAL” – os Estados Unidos investem mais de US$ 28 bilhões no Programa Constellation, o governo da Rússia pretende gastar US$ 10,5 bilhões para conquistar Marte, e os taikonautas chineses contam com cerca de US$ 14 bilhões para o programa espacial “Chang’e”, enquanto 4,4 milhões de crianças morrem por ano em toda África. 14 mil delas morrem por dia na África subsaariana (vítimas de malária, diarréia, pneumonia, HIV e desnutrição). Um entre seis recém-nascidos, sequer vão saber quem pisou novamente na lua: irão morrer antes dos cinco anos de vida.

Mesmo depois de 40 anos da missão APOLLO 11 pousar na superfície lunar em 20 de Julho de 1969, em um local chamado "Sea of Tranquility" e Neil Armstrong e Edwin Aldrin tornaram-se os primeiros homens a caminhar no solo lunar, os homens continuam com suas cabeças voltadas para mundos mais distantes. Ao passo em que a Lua está localizada, aproximadamente, a 384.405 km do nosso planeta, e a distância média de Marte é de 230 milhões de km da Terra, a África parece ficar cada vez mais longe.

3 comentários:

psifca disse...

Acho que temos que celebrar sim. foi, digamos: "um grande passo para a humanidade". Infelizmente os outros passos não foram dados (ainda). Gastamos muito mais em armas. este sim, recursos que poderiam ser utilizados nas vitimas das muitas tragédias humanas.

Aguardo o especial Darwin

Grande abraço

Anônimo disse...

Concordo plenamente com você Jony: foi mesmo um grande passo para humanidade, sobretudo, se não considerarmos a África como parte dessa mesma humanidade.

abraços e obrigado pelo comentário

Gleydson disse...

Muito interessante, Marcos, o teu comentário. Me deparei com teu blog fazendo uma busca na net pra tentar ajudar minha mana que tem TDAH. Qual não foi a surpresa ao ler textos tão bem escritos e muito além da mediocridade reinante nesse mundo dos blogs. Fiz questão de comentar pra te elogiar e dizer que ganhou um admirador e vi um vídeo seu no You Tube de uma entrevista para a TVE BAHIA onde você fala sobre TDAH e sobre seu livro. Quero presentear minha irmã com seu livro, mas onde posso encontrá-lo?